Comandante venezuelano adverte militares sobre violação dos direitos humanos

Caracas, 6 Jun 2017 (AFP) - O comandante das Forças Armadas Venezuelanas, general Vladimir Padrino López, advertiu nesta terça-feira seus comandados que não tolerará violações dos direitos humanos, após denúncias de agressões e roubos contra manifestantes opositores e jornalistas.

"Não quero ver um guarda sequer cometendo atrocidades nas ruas", disse Padrino López, que acumula o cargo de ministro da Defesa, sem citar diretamente os membros da Guarda Nacional Bolivariana, encarregados de controlar os protestos contra o presidente Nicolás Maduro.

Na segunda-feira, durante um protesto realizado pela oposição, se multiplicaram as denúncias contra membros da Guarda Nacional por agressão e roubo de manifestantes e jornalistas.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), 14 profissionais da imprensa foram vítimas de agressões, principalmente em Caracas, e vários tiveram seus equipamentos roubados.

"Quem se afastar da orientação do Estado, do respeito aos direitos humanos, da atuação profissional, terá que assumir sua responsabilidade", advertiu Padrino López em um ato público.

Vídeos nas redes sociais mostram membros da polícia e da Guarda Nacional retirando os pertences de várias pessoas.

"Que esta advertência não fique apenas nas palavras, amanhã (durante mais um protesto) vamos ver quem é o verdadeiro comandante das Forças Armadas", disse à imprensa Julio Borges, presidente do Parlamento, dominado pela oposição.

Borges considera que a ordem de "reprimir" as manifestações parte do ministro do Interior, Néstor Reverol, a quem chama de "jagunço do governo".

A oposição afirma que membros da Guarda Nacional e da polícia têm disparado bombas de gás lacrimogêneo diretamente contra os manifestantes, assim como tiros de cartucho.

Padrino López tem denunciado uma ação orquestrada da oposição para culpar as Forças Armadas pela violação de garantias fundamentais durante a atual onda de protestos, iniciada em 1 de abril, que já deixou 65 mortos e mais de mil feridos, além de 3 mil detidos.

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