EI assume tomada de refém em 'incidente terrorista' na Austrália

Sydney, 6 Jun 2017 (AFP) - O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou a tomada de refém em Melbourne, nesta segunda-feira (5), durante a qual uma mulher foi mantida em seu apartamento e três policiais foram feridos a bala.

A polícia trata o caso como um "incidente terrorista" e o primeiro-ministro Malcolm Turnbull condenou um "crime covarde".

A polícia abateu o sequestrador, homem de origem somali, e disse que os fatos já estão sendo investigados. Horas depois, o organismo de propaganda do EI, a Amaq, assumiu o ato.

"O autor do ataque de Melbourne na Austrália é um soldado do Estado Islâmico e realizou o ataque em resposta à convocação para ter cidadãos da coalizão como alvo", declarou a Amaq, referindo-se à coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Depois da divulgação do comunicado da Amaq, a Polícia australiana passou a considerar o episódio como um evento terrorista.

As autoridades identificaram o homem como Yacqub Khayre, 29 anos, filho de refugiados somalis e que era fichado na polícia.

Khayre foi julgado em 2009 por fazer parte de um complô para atacar os barracões de Holsworthy, uma instalação do Exército em Sidney, mas acabou solto.

Foi detido posteriormente por tentativa de agressão e tentativa de incêndio, mas obteve liberdade condicional em 2016.

"Estamos tratando isso como um incidente de terrorismo", afirmou o chefe de Polícia de Victoria, delegado Graham Ashton, em declarações na terça-feira (horário local).

"Ainda não há nada que indique que recebeu uma mensagem do exterior, mas ainda é cedo. Temos material apreendido. Vamos revisá-lo e trabalhar", acrescentou.

A Polícia informou que Khayre havia dado declarações referentes à "Al-Qaeda" e que pediu às emissoras de televisão locais para fazer comentários similares. Ele também teria dito "Isso é pelo EI, pela Al-Qaeda".

Testemunhas relataram que a situação foi aterradora e houve muitos disparos.

"Me disseram que teria havia uma explosão perto das 16h locais. Fiquei ali um pouco e ouvi disparos, cerca de dez tiros, e nos disseram que era uma tomada de reféns", contou Will Reid à ABC.

"Foi aterrador. Ninguém esperaria uma coisa dessas em Brighton", afirmou.

A Polícia foi alertada de que se ouviam explosões em um edifício em Brighton, um bairro ao sul de Melbourne. Ao chegar, encontraram na entrada do prédio o corpo de um homem, ferido a bala, identificado como um australiano de origem chinesa. Seu nome não foi divulgado.

O cerco acabou quando o agressor deixou o prédio e abriu fogo. A mulher escapou sã e salva, mas três policiais ficaram feridos. Os agentes não correm risco de vida.

Em reunião na Austrália também na segunda-feira, o secretário americano da Defesa, Jim Mattis, o secretário de Estado, Rex Tillerson, e suas colegas australianas, Marise Payne e Julie Bishop, respectivamente, advertiram sobre a ameaça representada pelo retorno a seus países de extremistas que combateram no exterior.

Os combatentes do EI "vão voltar com conhecimentos bélicos, vão voltar com uma ideologia reforçada, vão voltar com raiva, frustrados, e precisamos estar conscientes disso", declarou a ministra australiana da Defesa.

"A ameaça global do terrorismo está sempre evoluindo, e temos visto ataques brutais em várias cidades europeias. Desmantelamos ataques aqui na Austrália", completou Bishop.

As autoridades australianas alegam ter impedido 12 ataques no país desde 2014. Pelo menos 61 pessoas foram incriminadas até agora.

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