Possível liberdade de chefe da Cosa Nostra gera indignação

Roma, 6 Jun 2017 (AFP) - A possível saída da prisão por motivos de saúde de Toto Riina, último chefe da máfia siciliana Cosa Nostra, gerou uma onda de indignação na Itália, nesta terça-feira.

"Se o libertam, matam meu irmão pela segunda vez", comentou Salvatore Borsellino, irmão do juiz antimáfia Paolo Borsellino, assassinado há 25 anos por ordem de Riina.

Na terça-feira, a Corte de Cassação italiana pediu a abertura das portas da prisão de Riina, por considerar que o mafioso de 86 anos "tem direito a morrer de maneira digna".

"É preciso que sua morte seja digna, mas dentro da cadeia", pediu Borsellino, após lembrar que o homem apelidado de "a besta" mandou dissolver uma criança com ácido.

Além de familiares e vítimas do temido criminoso, condenado a 15 penas de prisão perpétua pela morte de 150 pessoas, políticos, magistrados e pessoas comuns se manifestaram nas redes sociais.

"Temos elementos para garantir que Riina continua sendo o chefe da Cosa Nostra. Pode ser tratado da maneira adequada dentro da prisão", comentou Franco Roberti, procurador nacional Antimáfia.

O mentor do assassinato dos juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992, está preso em Parma (norte da Itália) e tem câncer nos dois rins, além de graves problemas cardíacos.

A pedido de seu advogado, a Corte de Cassação acolheu o recurso para que a pena seja adiada ou para conseguir a prisão domiciliar.

O mesmo pedido lhe tinha sido negado pelo Tribunal de Bolonha e por isso a Corte de Cassação solicita a este tribunal que o revise, pois não levou em conta "a deterioração física" do preso, que tem "o direito de morrer com dignidade", diz a sentença divulgada pela imprensa.

O tribunal de Bolonha voltará a examinar o pedido.

A ideia de que o chefe do clã Corleone morra em seu leito de morte gerou raiva, já que o homem liderou uma impiedosa guerra entre 1980 e 1990 contra o Estado e os clãs rivais. Além disso, foi um dos mentores dos atentados mortais de 1993 em Roma, Milão e Florença, e que deixaram dez mortos no total.

"É um homem perigoso, o chefão do Cosa Nostra. Sua família faz parte da máfia. Soltá-lo seria como se o Estado cedesse a um poder que fez muitos danos ao país", reconheceu a presidenta da Comissão Parlamentar Anfimáfia, Rosy Bindi.

"É que os mafiosos falam até com o olhar", enfatizou.

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