Washington espera impaciente a audiência do ex-diretor do FBI

Washington, 6 Jun 2017 (AFP) - O Congresso americano volta ao foco com a investigação de um suposto conluio entre o comitê de campanha de Trump e Moscou: duas audiências públicas acontecerão nos próximos dois dias, com o depoimento-chave de James Comey, ex-diretor do FBI.

Comey, demitido de surpresa por Donald Trump em 9 de maio e que se manteve em silêncio desde então, será interrogado na quinta-feira pelo Senado em uma audiência pública para determinar se o presidente o pressionou buscando influenciar na investigação do caso russo.

Os depoimentos anônimos de pessoas próximas a Comey e suas notas escritas, que foram vazadas à imprensa, parecem indicar que sim. E isso poderia ser visto como uma tentativa de obstrução da Justiça, crime que justificaria a abertura de um julgamento político.

De acordo com a CNN, Comey está disposto a contar tudo o que sabe, mas segundo a ABC, o ex-diretor do FBI não acusará o presidente de obstrução à Justiça.

Um avanço desta audiência pública terá lugar na quarta-feira, também diante da Comissão de Inteligência do Senado, com quatro testemunhas importantes: o diretor de Inteligência Nacional, Daniel Coats; o chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), Mike Rogers; o diretor interino do FBI, Andrew McCabe; e o procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein.

"Em vez de nos apoiar em artigos da imprensa e em boatos, vamos perguntar diretamente aos envolvidos", destacou o senador republicano Marco Rubio, um dos 15 membros da comissão.

"Me alegro de que seja uma audiência pública", disse o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer. "Nesta matéria os americanos devem saber toda a verdade e nada além da verdade".

O vazamento de um documento secreto da NSA que apareceu no site The Intercept na segunda-feira pôs mais lenha na fogueira.

Um provedor da agência foi detido por enviar tal documento, que detalha como a Inteligência militar russa tentou invadir vários sistemas eleitorais antes da eleição de novembro de 2016. O Kremlin nega qualquer tipo de ingerência.

Este documento confirma as suspeitas de ciberataque por parte da Rússia para minar a confiança do povo no sistema eleitoral americano e para prejudicar a candidatura da democrata Hillary Clinton.

- Fumaça sem fogo -Trump disse publicamente que quer virar a página, mas a investigação - agora nas mãos do procurador especial independente Robert Mueller - paralisa a sua presidência.

"Não há dúvidas de que manter os parlamentas focados nas investigações prejudica a nossa agenda legislativa", disse na segunda-feira o diretor da Casa Branca para Assuntos Legislativos, Marc Short.

Os republicanos, com maioria em ambas as Câmaras do Congresso, estão atrasados em seus planos de reforma. Embora de início tenham feito o possível para ignorar este tema, não puderam evitar que o Congresso cumprisse com a sua missão de controlar o poder Executivo.

Comissões do Senado e da Câmara de Representantes têm investigado há meses as tentativas de interferência de Moscou nas eleições presidenciais e a sua relação com o comitê de campanha de Trump.

O objetivo destas investigações do Congresso é mais ambicioso do que as realizadas por Mueller, pois se concentram em identificar crimes específicos. Querem revelar as atividades de espionagem da Rússia nos Estados Unidos e identificar os cúmplices locais.

Hillary Clinton está convencida de que os russos foram ajudados por políticos americanos. "Há muita fumaça", disse no domingo o vice-presidente da Comissão do Senado, Mark Warner, "mas ainda não há fogo".

Os democratas asseguram que perguntarão a Daniel Coats e a Mike Rogers sobre uma afirmação feita em um artigo do Washington Post: que o presidente lhes pediu em março para negarem publicamente a existência de uma colusão com a Rússia.

Para o círculo mais próximo de Trump, tudo não passa de uma intriga.

"Esta é a maior farsa de toda a História", disse na segunda-feira um dos filhos do presidente, Eric Trump, à emissora ABC. "Para mim é o establishment tentando evitar que vença", declarou outro de seus filhos, Donald Trump Jr.

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