A desgastada reputação de Theresa May

Londres, 7 Jun 2017 (AFP) - Três atentados em três meses e uma campanha eleitoral discreta enfraqueceram a "solidez e estabilidade" esperada da primeira-ministra britânica, Theresa May, em seu slogan eleitoral.

Embora seus adversários a acusem de ter pouca ambição, todos concordam em destacar o seu trabalho e competência, tanto na época em que esteve à frente do Ministério do Interior (2010-2016), como em seu primeiro ano em Downing Street.

Esta reputação apresenta agora os cortes impostos à polícia nos anos de austeridade e vários giros de 180º em sua campanha.

Fiel ao ex-primeiro-ministro David Cameron, esta eurocética havia se posicionou a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) no referendo de 23 de junho de 2016.

Se envolveu pouco na campanha, mas sempre o fez insistindo na necessidade de limitar a imigração, o tema preferido dos partidários do Brexit.

Após a renúncia de Cameron, derivada do revés no referendo, May surgiu como uma figura crível para ambos os campos.

E foi eleita para sucedê-lo pelo Partido Conservador assegurando, sem a menor sombra de dúvidas, que conduziria com mão firme o país em sua saída da UE com a sua famosa frase "Brexit means Brexit" ("Brexit significa Brexit").

Poucos apostavam nela antes do terremoto do Brexit. Boris Johnson, George Osborne e até mesmo Michael Gove eram as opções mais populares.

"É muito diligente, muito trabalhadora, se aprofunda nos detalhes, é bastante tecnocrata, muito rígida, e pode ser teimosa", explicou à AFP o ex-líder liberal-democrata Nick Clegg, que foi o vice-primeiro-ministro do governo de coalizão de Cameron e colega de gabinete da atual líder conservadora.

"Todas estas coisas são qualidades muito boas em um político do governo". Entretanto, acrescentou, "nunca vi realmente muita imigração, nem flexibilidade, nem instinto, nem visão, que são as coisas necessárias em uma primeira-ministra".

Depois de resistir durante um ano aos chamados de seu partido, finalmente adiantou as eleições legislativas de 2020 para 8 de junho.

Tomou esta decisão com uma vantagem de 20% sobre o trabalhista Jeremy Corbyn nas intenções de voto. Mas esta margem foi diminuindo com as críticas a sua campanha distante e calculada, com poucos encontros improvisados com os eleitores e se negando a participar de debates.

Esta mulher alta e esbelta de 60 anos, com aspecto elegante, olhos expressivos e cabelo curto e grisalho, faz parte da ala mais à direita do Partido Conservador.

Como ministra do Interior, manteve uma linha dura contra o crime, a imigração clandestina e os clérigos islamitas.

May, descrita muitas vezes como "a nova Margaret Thatcher", começou a sua carreira política em 1986, depois de estudar na Universidade de Oxford e de trabalhar por um breve período no Banco da Inglaterra.

Mas, na realidade, tem muito mais pontos em comum com Angela Merkel, a chanceler alemã, também filha de um pastor, conservadora, pragmática, aberta ao compromisso, casada e sem filhos.

- "Terrivelmente difícil" -"Theresa é uma mulher terrivelmente difícil", comentou o ex-ministro Kenneth Clarke, um deputado conservador que trabalhou para Thatcher.

May não se incomodou com a frase e a usa repetidas vezes desde então para transmitir firmeza.

"O próximo a se dar conta disto será Jean-Claude Juncker", respondeu May com humor, impondo o tom das negociações da saída do Reino Unido da UE com o presidente da Comissão Europeia.

Theresa Brasier - seu nome de solteira - nasceu em 1º de outubro de 1956 em Eastbourne, uma cidade costeira do sudeste da Inglaterra. Depois de cursar Geografia em Oxford, onde conheceu seu marido, Philip, e de trabalhar no Banco da Inglaterra, deu os seus primeiros passos na política em 1986.

Naquele ano, foi eleita vereadora do distrito londrino de Merton. Depois de duas derrotas, foi eleita em 1997 deputada do Partido Conservador pelo distrito de Maidenhead, em Berkshire, no sul da Inglaterra.

De 2002 a 2003, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral de seu partido. Ficou conhecida por um discurso em que pediu aos "tories", então muito à direita, que largassem o seu papel de "nasty party" ("partido dos maus").

Em 2005 apoiou Cameron em sua conquista do partido. Quando foi eleito primeiro-ministro, recompensou a sua fiel aliada com a pasta do Interior, que manteve depois de sua reeleição em 2015.

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