Brasil vive suspense por julgamento que pode acabar com mandato de Temer

Brasília, 8 Jun 2017 (AFP) - O julgamento que poderia anular o mandato do presidente Michel Temer entrou nesta quinta-feira em seu terceiro dia com a expectativa de que os juízes comecem a votar, embora o processo possa se prolongar por vários dias ou ser suspenso a pedido de algum juiz.

Inicialmente, estava previsto que os sete juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinariam nesta quinta-feira se a eleição de 2014, na qual foi reeleita a chapa Dilma-Temer, deveria ser invalidada por abuso de poder e financiamento ilegal de campanha.

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, pediu "moderação" a seus colegas na sessão de abertura de terça-feira, consciente da atenção e da relevância da decisão do julgamento para o país.

Nos dois primeiros dias, ficaram latentes as diferenças entre os juízes, que não conseguiram passar da etapa de debate das questões preliminares. Por isso, concordaram em convocar sessões extraordinárias para continuar discutindo quase ininterruptamente até a noite de sábado, caso seja necessário.

"O tribunal vem se posicionando de forma muito adequada do nosso ponto de vista", disse na quarta-feira o advogado de Temer, Gustavo Guedes.

Embora esperem que o relator do caso, Herman Benjamin, vote para anular a eleição de 2014, cada vez mais analistas consideram que Temer conseguirá se salvar no TSE, para onde recentemente nomeou dois juízes.

- O fantasma da investigação -"O maior risco para Temer seria pedirem mais tempo [para analisar o processo]", considera a consulta Eurasia Group, ao considerar que "o presidente estaria mais vulnerável diante das investigações em curso na Procuradoria" e já nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, viu indícios de corrupção, organização criminosa e obstrução da Justiça por parte do presidente, com base nas delações premiadas de executivos da JBS.

E entre vários e prorrogados "dias D", na sexta-feira à tarde vence o prazo para que o presidente entregue por escrito ao STF as respostas do interrogatório sobre este o caso.

Mas Temer também tem outras frentes abertas para se preocupar.

O seu principal aliado, o PSDB, há dias debate se irá abandoná-lo, o que poderia supor um golpe fatal no avanço da principal bandeira de seu governo: as reformas pró-mercado.

Também há um grande temor no entorno da Presidência de que o ex-assessor de Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, detido no sábado por corrupção, faça uma delação premiada.

Negando-se categoricamente a renunciar, apesar dos crescentes pedidos de impeachment e as manifestações nas ruas, Temer tentou manter a normalidade na quarta-feira diante de empresários do agronegócio.

"Nós vamos conduzir o governo até 31 de dezembro de 2018", prometeu, apoiando-se no "vigor" dos representantes do setor que impulsionou o tímido crescimento no primeiro trimestre do ano.

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