Forças Democráticas Sírias e Estado Islâmico se enfrentam em Raqa

Qamishli, Síria, 9 Jun 2017 (AFP) - As Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos, travavam violentos combates contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), em Raqa, nesta quinta-feira (8).

Sete meses após o início de uma ofensiva que lhes permitiu tomar grandes áreas em torno de Raqa, as FDS entraram na terça-feira no bairro de Mechleb, depois do anúncio do início da grande batalha para tomar este reduto dos extremistas no norte da Síria.

Em meio aos combates, dezessete civis morreram em bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra a cidade, e o número de vítimas pode aumentar, já que há dezenas de feridos, informou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Um correspondente da AFP que entrou na quarta-feira neste bairro da zona leste de Raqa junto com as FDS testemunhou intensos combates com o disparo de morteiros por parte do EI.

Apenas uma parte do bairro é agora controlado pelas FDS, apoiadas em sua ofensiva pelos ataques aéreos da coalizão internacional liderada por Washington.

Os combatentes da aliança árabe-curda estão equipados principalmente com armas leves, além de Kalashnikovs. Eles tentam esconder seus veículos para que não sejam vistos pelos drones do EI, usados para largar bombas.

"Nossas tropas avançam em Meshleb e controlam partes do bairro", disse hoje à AFP o porta-voz das FDS Talal Sello, acrescentando que "as forças da coalizão internacional trabalham conosco no terreno de maneira muito eficaz".

A coalizão disser ter lançado 22 bombardeios contra o EI ontem, perto de Raqa.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) confirmou os intensos combates em Meshleb nesta quinta. Segundo a ONG, as Forças controlam cerca de dois terços do distrito de Mechleb e estão a 400 metros do bairro vizinho de Al-Senaa.

- Bombardeios incessantes"O EI dispõe de franco-atiradores escondidos e disseminou várias minas em Mechleb", informou o OSDH.

O bairro foi esvaziado da sua população civil pelos extremistas antes da chegada das FDS, e o EI abriu trincheiras defensivas e túneis.

Combates também eram travados na periferia oeste de Raqa, segundo o OSDH, que indicou que agentes das forças especiais americanas estavam presentes em várias frentes em Raqa. Cerca de 500 militares americanos, todos membros das forças especiais, estariam participando dessa batalha.

Na quarta-feira, um correspondente da AFP viu veículos blindados da coalizão com armas pesadas cobertos com lonas camufladas estacionados sob oliveiras no deserto a leste da cidade.

Os comandantes das FDS trabalham para identificar os alvos inimigos. Pneus foram colocados nas ruas para deter os carros-bomba dos radicais.

Conquistada pelos extremistas islâmicos em 2014, Raqa se tornou símbolo das atrocidades cometidas pelo EI, entre elas decapitações, execuções públicas e base para o planejamento de atentados no exterior.

Os habitantes relatam bombardeios constantes, segundo um ativista do coletivo "Raqa is Being Slaughtered Silently".

- Exército ausenteSegundo o militante, as condições de vida se deterioraram enormemente com os bombardeios e a escassez de água e de eletricidade. Os civis que conseguiram escapar da cidade relataram terem sido atacados por combatentes do Estado Islâmicos durante a fuga.

O número de civis mortos em ataques da coalizão tem aumentado desde que as FDS lançaram a ofensiva de Raqa há sete meses. Na segunda-feira (5), 21 civis foram mortos quando tentavam fugir da cidade cruzando o Eufrates em uma embarcação.

Um dos ataques aéreos de terça-feira (6) matou oito civis, incluindo três crianças, de acordo com o OSDH.

Segundo a ONU, cerca de 160 mil pessoas vivem na cidade, contra 300 mil antes do início do conflito.

O porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU, David Swanson, declarou que cerca de 100 mil pessoas podem se ver bloqueadas durante este ataque final.

Na terça, o Comitê Internacional de Resgate expressou sua preocupação com a segurança dos civis em Raqa, porque o número de pessoas fugindo da cidade diminuiu muito desde a semana passada. Isso poderia indicar que o EI quer usá-las como "escudos humanos".

O Exército sírio não participa da batalha de Raqa, apesar de a agência oficial de notícias Sana ter informado, nesta quinta, que a Força Aérea detectou posições do EI a oeste da província.

Um drone que pertenceria às forças de apoio ao governo de Bashar al-Assad disparou contra tropas da coalizão internacional no sudeste do país, antes de ser derrubado, informou hoje um porta-voz da coalizão, coronel Ryan Dillon.

Iniciada em março de 2011 pela repressão do regime às manifestações pacíficas pró-democracia, a guerra na Síria já deixou mais de 320 mil mortos e obrigou mais da metade dos quase de 22 milhões de habitantes a deixarem suas casas.

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