May ignora pedidos de renúncia e irá formar governo

Londres, 9 Jun 2017 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, ignorou nesta sexta-feira os pedidos de renúncia lançados depois de perder a maioria absoluta dos conservadores no Parlamento, e anunciou que formará um novo governo.

"Acabo de ver Sua Majestade, a rainha, e agora formarei um governo que possa proporcionar certezas e conduzir o Reino Unido neste momento crítico para o nosso país", declarou ao final de um breve encontro com Elizabeth II, a quem pediu oficialmente autorização para formar um novo Executivo.

"Este governo vai guiar o nosso país nas negociações sobre o Brexit que começam em 10 dias e responderá ao desejo dos britânicos de concluir com sucesso a saída da União Europeia", afirmou.

Em sua breve declaração aos jornalistas, a primeira-ministra explicou que contará com o apoio do Partido Unionista Democrático (DUP), tradicional aliado, que somado aos 318 deputados dos conservadores, alcançaria 328 - a metade da Câmara dos Comuns mais dois.

Após as negociações, May deverá se submeter a um voto de confiança no Parlamento.

Se não for capaz de formar um governo de maioria, ou não obter a confiança, possivelmente apresentará sua renúncia. Desta forma, o trabalhista Jeremy Corbyn seria convidado a assumir a tarefa.

Os trabalhistas, que, faltando um assento a ser definido, têm 261 deputados, poderiam receber o apoio dos Liberais Democratas e dos Nacionalistas escoceses.

- Fracasso pessoal -O cataclismo conservador prolonga um ano turbulento da política britânica desde que o país votou de forma inesperada a favor de deixar a União Europeia em junho de 2016.

"Em suma, é uma verdadeira bagunça", declarou à AFP Angus, um britânico de 43 que chegava esta manhã na estação londrina de Euston para ir ao trabalho.

Mas, acima de tudo, é um fracasso pessoal para May, que dispunha de uma maioria de 17 assentos no Parlamento e havia convocado eleições antecipadas na esperança de obter uma maioria mais ampla para negociar a saída da União Europeia em posição de força.

Após o resultado, Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, exigiu a renúncia de May.

Theresa May "perdeu cadeiras conservadoras, perdeu votos, perdeu apoio e perdeu confiança. Eu digo que isto é o suficiente para partir", declarou Corbyn após ser reeleito na circunscrição de Islington North, no centro de Londres.

A primeira-ministra, reeleita em Maidenhead (oeste), não deu o braço a torcer e disse que apenas os conservadores são capazes de garantir a estabilidade que o Reino Unido necessita em tempos difíceis.

"O país precisa de um período de estabilidade e qualquer que sejam os resultados, o Partido Conservador garantirá que possamos cumprir esta tarefa de garantir a estabilidade", disse May.

No entanto, líderes do seu partido, como a ex-ministra Anna Soubry, consideraram que a chefe de Estado deveria pensar em uma renúncia porque "está em uma situação muito difícil."

O ex-ministro das Finanças conservador George Osborne declarou "ser totalmente catastrófico para os conservadores e para Theresa May".

- Libra em queda -Após a divulgação das primeiras projeções, a libra esterlina caiu em relação ao euro e ao dólar.

Em contrapartida, a bolsa de Londres subia 0,42%. Após uma hora de cotação, o índice FTSE-100 dos principais valores registrava alta de 31,59 pontos a 7.481,57 pontos. A queda da libra estimula o interesse pelas as ações de grandes multinacionais cotadas em Londres.

As manchetes dos jornais desta sexta-feira refletem a surpresa: "Por um fio" (Daily Mirror, com uma foto de May), "Mayhem" ("Caos", com The Sun fazendo um jogo de palavras com o sobrenome da premiê), "Choque" para May (The Guardian e Daily Telegraph).

"Será um desastre para Theresa May. Sua liderança será questionada e receberá pressões para renunciar", disse à AFP o especialista em Política Ian Begg, da London School of Economics.

Antecipando as eleições de 2020, May "perdeu a aposta e é até prematuro afirmar que permanecerá como primeira-ministra", avaliou Paula Surridge, da Universidade de Bristol.

Comparativamente, o líder trabalhista Jeremy Corbyn melhoraria os resultados de seu antecessor, Ed Miliband, em 2015, e sairia muito fortalecido.

Outros grandes derrotados são os separatistas escoceses, que perderam 22 deputados de 56 e veem consideravelmente debilitada sua aspiração a um segundo referendo de independência em breve.

Alex Salmond, que liderou o primeiro referendo, perdeu seu assento em Gordon para os conservadores.

Por sua vez, o líder do Partido para a Independência do Reino Unido (Ukip), Paul Nuttall, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia ao não conseguir nenhum assento nas eleições.

"O partido deve iniciar uma nova era com um novo líder", declarou, abrindo a porta ao polêmico Nigel Farage.

May planejou as eleições como um plebiscito entre ela, "sólida e estável", segundo seu lema eleitoral, capacitada para enfrentar uma União Europeia com sede de vingança após o Brexit, e um Corbyn que, até pouco tempo, era questionado até por seus deputados.

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