TSE começa a definir futuro imediato de Temer

Brasília, 9 Jun 2017 (AFP) - O juiz Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta sexta-feira pela cassação da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, reeleita em 2014, por abuso de poder político e econômico na campanha, embora os analistas apostem na absolvição do presidente.

"Voto pela anulação da chapa presidencial eleita em 2014 pelos abusos que foram investigados", declarou o ministro Herman Benjamin, relator do caso, ao dar o primeiro dos sete votos no TSE.

Desde a terça-feira, o tribunal examina se a reeleição de Dilma e Temer deveria ser invalidada por financiamento ilegal de campanha.

Benjamin se opôs à separação das contas de campanha dos dois.

"No Brasil ninguém elege vice-presidente. Elege-se uma chapa, unida, para o bem e para o mal. Os mesmos votos que elegem um presidente, elegem um vice", declarou.

Temer chegou à Presidência no ano passado, após o impeachment de Dilma, destituída pelo Congresso por manipulação de contas públicas nas chamadas pedaladas fiscais.

Os outros magistrados devem emitir seus votos quando a sessão for retomada, às 15h00. Analistas acreditam que Temer conseguirá salvar seu mandato por uma estreita margem (4-3), embora sua situação continue precária devido às acusações de corrupção que pesam contra ele.

A tempestade política que começou há três semanas com a divulgação de uma comprometedora levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a abrir uma investigação por corrupção, organização criminosa e obstrução da Justiça.

- Temer "sereno" -No centro dos longos debates está a inclusão de provas obtidas nas delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht, impugnadas pela defesa alegando serem posteriores à abertura do caso.

Essas declarações contêm as acusações mais graves contra a chapa presidencial.

Juristas consultados pela AFP asseguram que, com base nas considerações feitas pelos juízes, quatro dos sete seriam favoráveis à retirada das provas, o que aumentaria a possibilidade da absolvição de Temer por falta de provas contundentes.

Nesta votação leva-se me conta também o fato de que dois dos juízes do TSE foram recém-nomeados pelo chefe de Estado.

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, pediu diversas vezes "moderação" a seus colegas pela relevância da decisão do julgamento para o país.

Temer acompanha o julgamento pela televisão e está "muito sereno, tranquilo, confiante de que tem a melhor tese jurídica e que ela vai ser vitoriosa", disse à AFP uma fonte do Palácio do Planalto.

- Outras frentes abertas -Fora do TSE, há outras frentes abertas para Temer se preocupar.

Esta tarde vence o prazo para que o presidente entregue por escrito ao STF as respostas do interrogatório sobre a sua investigação por corrupção.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode apresentar formalmente uma denúncia contra Temer a qualquer momento, o que poderia afastá-lo do cargo caso isso seja aprovado pela Câmara dos Deputados e validado pelo STF.

Além disso, o principal partido aliado, o PSDB, deve decidir na segunda-feira se irá deixar o governo, visando as eleições de 2018.

O PSDB poderia optar por retirar quatro ministros, mas ainda não se sabe se irá manter o apoio às reformas de austeridade.

Também há um grande temor na Presidência de que o ex-assessor de Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, detido por corrupção, faça uma delação premiada.

Se Temer cair, o Congresso deverá escolher um novo presidente em um prazo de 30 dias para completar o mandato até o fim de 2018.

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