Crise do Golfo: protagonistas fazem gestos, mas não há solução à vista

Doha, 11 Jun 2017 (AFP) - A crise entre Catar e seus vizinhos árabes continua sem solução, embora neste domingo vários países do Golfo, sob pressão internacional, tenham sinalizado para que sejam levadas em conta as consequências do embargo regional contra o emirado.

Uma alta autoridade do Catar descartou novamente as acusações de "apoio ao terrorismo" lançadas por vários países, entre eles a Arábia Saudita, para justificar o rompimento das relações diplomáticas com o Catar. Além disso, denunciou uma "política de dominação", estimando que as medidas tomadas contra Doha não servem para nada.

Quando a crise estourou no dia 5 de junho, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein deram 14 dias aos nacionais do Catar para abandonar seus territórios.

Os países, contudo, flexibilizaram um pouco essa posição neste domingo, ordenando que sejam levados em consideração os "casos de famílias mistas", que poderiam sofrer uma separação pela crise.

O governo dos Estados Unidos e a organização Anistia Internacional havia advertido sobre as consequências humanitárias da crise para milhares de pessoas.

O Catar declarou por sua vez que quem tem os passaportes dos três países -11.000 pessoas segundo os dados oficiais de Doha- poderiam permanecer no país.

Doha "não tomará nenhuma medida contra os residentes nacionais dos países que romperam ou reduziram o nível de representação diplomática com o Estado do Catar em um contexto de campanhas hostis e tendenciosas".

- Catar, disposto a resistir -Um conselheiro especial do ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohamed ben Abderrahman al Thani, afirmou que o "Catar nunca apoiou o terrorismo, (...) não apoia o terrorismo e (...) não apoiará o terrorismo", declarou à AFP Mutlaq al Qahtani.

"Acho que se trata de uma campanha orquestrada contra meu país (...) para que mude sua política exterior (...) independente", disse o conselheiro, ressaltando que "essa política de dominação não funcionará".

Apesar da pressão extrema exercida por seus vizinhos, o Catar quer dar a impressão de que pode aguentar essa situação durante muito tempo.

A Qatar Petroleum (QP) informou que "mobilizou todos os recursos disponíveis" para garantir as entregas a seus clientes apesar do bloqueio.

Maior exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL), o Catar anunciou em abril que aumentaria a produção no maior campo de gás do mundo, no norte do emirado, que compartilha com o Irã.

Este recurso natural permitiu ao Catar enriquecer-se e mostrar crescentes ambições regionais e internacionais nos últimos 20 anos.

Os rivais de Doha no Golfo, aos quais o Egito se uniu, não só romperam as relações diplomáticas, como também fecharam suas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres, tomando medidas contra veículos de comunicação do Catar, entre eles o canal Al Jazeera. Eles também reprovaram sua aproximação com o Irã, grande rival do reino saudita.

Frente ao bloqueio ao Catar, que importa grande parte de seus produtos de consumo, o Irã enviou ao Catar cinco aviões carregados com 90 toneladas de vegetais cada, segundo Shahrokh Nushabadi, porta-voz da companhia Iran Air.

- Ajuda do Irã -Além disso, 350 toneladas de frutas e legumes também foram carregadas em três pequenos barcos" para o Catar, de acordo com Mohammad Mehdi Bonchari, diretor do porto de Dayyer (sul do Irã).

O Kuwait, país do Golfo que não rompeu com o Catar, não poupa esforços para resolver a crise.

Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores disse que o Kuwait continuaria a mediar o conflito, enquanto o Catar estaria pronto para "unir esforços" para reforçar a segurança no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC).

Também neste domingo, a agência de notícias saudita SPA informou que o secretário de Estado americano Rex Tillerson telefonou ao poderoso vice-príncipe herdeiro Mohammed ben Salmane, filho do rei e ministro da Defesa saudita.

Desde o começo da crise, os Estados Unidos, que têm uma base militar crucial no Catar para a luta contra o grupo Estado Islâmico, criticou o país duramente. Na sexta-feira o presidente americano Donald Trump exigiu que Doha deixasse "imediatamente" de financiar "o terrorismo".

No domingo, o Marrocos disse que estava "disposto a mediar" para ajudar a resolver a crise.

Além disso, em uma carta enviada ao rei da Arábia Saudita, o presidente da Guiné, Alpha Condé, que ocupa a presidência executiva da União Africana, também se ofereceu para mediar a crise.

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