Forças Democráticas Sírias tomam primeiro bairro da zona oeste de Raqa

Beirute, 11 Jun 2017 (AFP) - Os combatentes curdos e árabes das Forças Democráticas Sírias (FDS) anunciaram neste domingo a tomada de um primeiro bairro da zona oeste de Raqa, principal reduto sírio do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

As FDS, apoiadas por Washington, entraram em Raqa na terça-feira, sete meses após o início de uma importante ofensiva para expulsar os jihadistas de sua 'capital' na Síria.

Neste domingo, anunciaram que a "Cólera do Eufrates" (nome dado à operação das FDS) libertou o bairro de Al-Rumaniya após dois dias de combates".

As forças que combatem o EI controlam agora dois bairros de Raqa, Al-Rumaniya, no noroeste, e Mechleb, no leste, mas avançam com dificuldades pelo norte, onde os extremistas controlam uma ex-base militar do regime sírio chamada de 'Divisão 17'.

As FDS também buscam tomar uma usina de açúcar próxima à base e utilizada pelo EI para defender o acesso norte de Raqa.

Neste domingo, as FDS lançaram um novo ataque contra a 'Divisão 17' com o apoio dos ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"Explosões foram ouvidas durante a noite, bem como troca de tiros entre os beligerantes", indicou a ONG com sede no Reino Unido, que dispõe de uma vasta rede de fontes na Síria.

Segundo seu diretor, Rami Abdel Rahmane, o EI "fortificou" esta base antecipando o ataque.

Conquistada pelos extremistas islâmicos em 2014, Raqa se tornou símbolo das atrocidades cometidas pelo EI, entre elas decapitações, execuções públicas e base para o planejamento de atentados no exterior.

A batalha de Raqa é uma das principais frente da guerra de múltiplos beligerantes que sacode a Síria desde 2011 e já deixou mais de 320.000 mortos.

- Vítimas civis -Desde que assumiram o controle do bairro de Mechleb na quarta-feira, as FDS têm o usado como ponto de partida para novas operações, de acordo com OSDH.

Seus combatentes avançam em uma estrada que liga Mechleb ao centro da cidade, de acordo com Abdel Rahman.

Mechleb é uma área residencial. Muitos são os assentamentos informais, construídos rapidamente a partir da década de 1970 para lidar com o afluxo de população devido ao enorme êxodo rural.

Raqa tinha 300.000 habitantes durante o reinado do EI, incluindo 80.000 deslocados de outras partes da Síria. Milhares de pessoas fugiram nos últimos meses e a ONU estima que 160.000 pessoas ainda vivem na cidade.

O número de mortes de civis na cidade aumentou nas últimas semanas. Em apoio à ofensiva da FDS, os aviões da coalizão internacional realizam ataques diários em Raqa. No sábado, ao menos 24 civis morreram, de acordo com OSDH.

Segundo Abdel Rahmane, no total, 58 civis morreram desde o início do ataque à cidade em 6 de junho.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos fornece apoio aéreo e em terra armas e assessores militares às FDS.

Esta aliança internacional, que conta com 68 Estados, começou a bombardear as posições do EI no Iraque em agosto de 2014 e expandiu suas operações para a Síria no mês seguinte.

Além de Raqa, a coalizão realiza ataques aéreos na cidade de Mayadine, no leste da Síria, também sob controle do EI, de acordo com OSDH.

"Vários chefes de segunda importância do EI fugiram para Mayadine quando a ofensiva sobre Raqa começou alguns meses atrás", relatou Abdel Rahmane.

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