Dia de homenagens aos 49 mortos no ataque de Orlando há um ano

Miami, 13 Jun 2017 (AFP) - Milhares de pessoas recordaram nesta segunda-feira, em Orlando, Flórida, o massacre que deixou 49 mortos na boate Pulse há um ano.

No dia 12 de junho de 2016, o americano Omar Mateen entrou na boate atirando. Além das vítimas fatais, 58 pessoas ficaram feridas. O ataque foi cometido em nome do grupo extremista Estado Islâmico (EI). Depois de três horas, o agressor foi morto pela polícia.

No início da noite desta segunda-feira, uma multidão se reuniu em torno do lago Eola, no centro de Orlando, para homenagear as vítimas.

"Isto não será a história de uma ação terrorista (...). Acredito que é a história da vitória da comunidade, da vitória do amor e da paz", disse o prefeito de Orlando, Buddy Dyer.

Atuaram na cerimônia o Coro Gay de Orlando e a cantora porto-riquenha Olga Tañón, que interpretou "Aleluia".

A prefeita do condado de Orange, Teresa Jacobs, homenageou a diversidade das vítimas em seu discurso. "Estamos aqui para apoiar a comunidade gay, os QLatinx (gays latinos), as comunidades hispânicas e as de cor".

O evento bilíngue terminou com a leitura dos nomes dos 49 mortos, acompanhada pelo toque de um sino por cada vítima.

As homenagens começaram de madrugada, quando familiares das vítimas e sobreviventes participaram de uma cerimônia com a presença das autoridades de Orlando na Pulse, prestes a se tornar um museu.

"Não importa o quão escura é a noite, o sol sempre volta a brilhar", declarou o prefeito de Orlando durante o encontro.

Do lado de fora, em frente ao bar rodeado de faixas com as cores do arco-íris, retratos das vítimas, velas, flores e ursinhos de pelúcia, centenas de pessoas prestavam homenagem às vítimas do tiroteio mais mortal da história recente dos Estados Unidos.

Quarenta e nove voluntários vestidos de anjos, com asas de PVC e telas brancas, cercavam o local, segurando velas. O "Exército dos Anjos" nasceu dias depois do ataque, para proteger as pessoas de luto dos manifestantes antigay.

"O único ponto positivo que podemos tirar de tudo isso é a enorme quantidade de amor e de preocupação que recebemos", declarou ao canal WFTV Viviana Torche, que participava da homenagem.

Christopher Hansen, também presente, disse ao jornal local Orlando Sentinel que conseguiu escapar da boate na noite do ataque e que permaneceu do lado de fora para ajudar os feridos.

"A emoção é grande demais para colocar em palavras. Voltei aqui várias vezes, mas hoje é diferente", disse ele ao jornal.

"É bonito de ver todas essas pessoas aqui para apoiar, lembrar e prestar homenagem às suas vidas", acrescentou.

No meio do dia, um pequeno grupo de manifestantes anti-gay levava um cartaz, que dizia "Todos os homossexuais arderão como bichas no inferno".

Enquanto isso, uma maioria aparecia com bonés, colares, ou camisetas com as cores do arco-íris e o slogan #OrlandoUnited.

- 'Orlando Unida'As autoridades locais declararam esta segunda-feira "Dia de Orlando Unida", e o governador da Flórida, Rick Scott, proclamou 12 de junho o "Dia da Memória da Pulse", ordenando bandeiras a meio pau em todo o estado.

Scott visitou a boate nesta manhã, onde fez um minuto de silêncio.

"Este foi um ataque contra Orlando, nosso estado, contra a comunidade hispânica e a comunidade LGBT. Deixou um impacto que nós carregaremos conosco pelo resto de nossas vidas", afirmou Scott na sexta-feira.

A maioria das vítimas era de Porto Rico.

Na região metropolitana de Orlando vivem 2,3 milhões de pessoas. Uma em cada quatro é de origem hispânica, e metade dos hispânicos é porto-riquenha (cerca de 320.000), de acordo com o censo americano.

"Nosso amor está com Orlando", tuitou a organização LGBT Puerto Rico, em San Juan. O consulado do México em Orlando também fez uma cerimônia para relembrar as quatro vítimas mexicanas do ataque.

Terapeutas do Centro de Assistência Orlando Unida, identificados com camisas amarelas, prestam assistência psicológica nas várias homenagens. Também foram mobilizados cães terapêuticos treinados para dar conforto.

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