Mariano Rajoy enfrenta moção de censura por corrupção na Espanha

Madri, 13 Jun 2017 (AFP) - O governo conservador espanhol enfrentava nesta terça-feira uma moção de censura impulsionada pelo deputado Pablo Iglesias e por seu partido de esquerda radical Podemos, que fez uma furiosa denúncia dos escândalos de corrupção que atingiram o Partido Popular (PP), de Mariano Rajoy.

Trata-se da terceira moção de censura apresentada no Congresso dos Deputados desde o retorno à democracia na Espanha, em 1977. Não obstante, a iniciativa do Podemos parece destinada ao fracasso, já que enfrenta uma maioria que votará contra ou irá se abster.

Este debate deu ao Podemos a chance de tentar surgir como o principal partido de oposição, ficando à frente do PSOE.

"Há mais acusados em suas fileiras do que os membros do Congresso e do Senado juntos", lançou ao PP a porta-voz do Podemos, Irene Montero, antes de começar o debate que pode durar até quarta-feira.

Montero acusou, entre outras coisas, o "machismo" e o "elitismo medíocre" dos membros do PP, em meio aos aplausos dos deputados do Podemos e do protesto dos conservadores.

"Basta de corrupção, seu tempo acabou", afirmou a psicóloga de 29 anos, que enumerou os escândalos por irregularidades na gestão pública relacionados ao PP, que desgastaram o partido e fizeram com que perdesse a maioria absoluta nas eleições de 2015.

Mas a moção para derrubar o governo conta apenas com 82 votos a favor - 71 da coalizão Unidos Podemos e mais 11 de outros partidos de esquerda -, muito distante da maioria absoluta (176) necessária para adotá-la.

É uma "paródia" de moção, um "espetáculo" e uma "farsa", repreendeu o presidente do governo, Mariano Rajoy, em um irônico discurso no qual acusou o Podemos de "ocultar a realidade" do país "e falseá-la" segundo os seus interesses.

"Vocês precisam que isto não acabe bem porque senão não existem. À medida que as coisas vão melhorando, precisam exagerar [...], fabricar um mundo irreal", afirmou Rajoy, ao comemorar o crescimento da Espanha acima dos 3% de 2015 e a criação de meio milhão de empregos ao ano, embora a taxa de desemprego de 18,7% seja a segunda maior da Europa.

"Vocês representam o desconhecido e o medo", declarou Pablo Iglesias, de 38 anos, ao apresentar o seu projeto como candidato alternativo à presidência, cargo que assumiria no caso muito improvável de a moção ser adotada.

"As pessoas têm vergonha de vocês", continuou.

Com sua aposta no Congresso, Iglesias tenta situar o Podemos "como o único partido de oposição e, portanto, uma formação que pode oferecer um programa alternativo ao do Partido Popular", disse à AFP o cientista político Pablo Simón.

A corrupção, que também atinge socialistas e sindicatos, é uma das principais preocupações dos espanhóis de acordo com as pesquisas.

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