Trump eleva o tom após novas revelações da imprensa sobre caso russo

Washington, 15 Jun 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, classificou nesta quinta-feira de falsas as afirmações sobre um suposto conluio com a Rússia, ao responder a novas revelações da imprensa, segundo as quais o procurador independente Robert Mueller busca investigar se o chefe de Estado obstruiu a Justiça.

"Eles fizeram um falso conluio com a história russa. Não encontraram nenhuma prova. Agora, falam em obstrução da Justiça nessa notícia falsa. Que bonito", ironizou Trump no Twitter.

Em uma segunda mensagem na mesma rede social, Trump denunciou "a maior caça às bruxas da história política dos Estados Unidos, lançada por gente muito ruim e conflituosa!".

Mais tarde, voltou a artilharia contra sua ex-adversária nas presidenciais, a democrata Hillary Clinton, que não foi processada após uma investigação do FBI sobre o uso de um servidor privado para enviar e-mails quando foi secretária de Estado.

"Por que não se vê as relações da família de Hillary Clinton e dos democratas com a Rússia e as minhas não relações, sim?", questionou, em um tuíte.

"A desonesta H destruiu telefones com um martelo, limpou e-mails e teve um marido que se reuniu com a procuradora-geral dias antes de ser exonerada - e falam de obstrução?", prosseguiu.

O presidente tem muito em jogo neste caso. Se houver provas de que obstruiu a Justiça, poderia se iniciar, teoricamente, um processo de destituição no Congresso.

O procurador independente Mueller, ex-chefe do FBI, interroga atualmente autoridades da inteligência para determinar se o presidente tentou frear ou bloquear a investigação sobre a ingerência russa no processo eleitoral americano em 2016, segundo o "Washington Post" e o "New York Times".

Esta investigação inclui uma eventual conivência entre pessoas próximas a Trump e Moscou durante a campanha eleitoral vitoriosa do magnata republicano.

Nesta quinta-feira, um porta-voz do vice-presidente americano, Mike Pence, revelou que ele contratou Richard Cullen - um advogado veterano que trabalhou nos casos Watergate, Irã-Contras e na recontagem de votos, em 2000, na Flórida - para tratar das petições de Mueller.

Na semana passada, o ex-chefe do FBI James Coney, demitido por Trump no começo de maio, deu conta de pressões do presidente na investigação sobre a Rússia.

- Congresso determinado -O Congresso americano parece determinado a não reduzir a pressão em relação à Rússia e manter o controle das medidas tomadas envolvendo Moscou.

Nesta quinta-feira, o Senado aprovou novas sanções contra a Rússia e um projeto de lei que permite ao parlamento impedir que o presidente as possa levantar.

O fato de ampliar o campo da investigação a uma eventual obstrução da Justiça por Trump representa "um giro maior" neste caso, assinala o Washington Post, que afirma, ainda, que os investigadores estão em busca de potenciais crimes financeiros entre colaboradores do multimilionário republicano.

O procurador Mueller teria solicitado entrevistas com cinco importantes funcionários dos serviços de inteligência, dos quais três aceitaram o pedido: o diretor nacional de Inteligência, Daniel Coats; o chefe da Agência Nacional de Segurança, Mike Rogers, e seu ex-auxiliar Richard Ledgett.

As entrevistas poderiam acontecer esta semana, segundo o jornal. Citando funcionários, o Post indicou que um dos pontos de interesse de Mueller é uma reunião que ocorreu em 22 de maio, quando Coats disse a seus colegas que Trump havia pedido a sua intervenção para que Comey deixasse de investigar o ex-assessor de segurança Mike Flynn no caso sobre a interferência russa nas eleições.

- Vazamento escandaloso -Poucos dias depois da reunião, Trump conversou separadamente com Coats e Rogers para pedir que emitissem declarações assinalando que não havia provas sobre ligações entre sua equipe de campanha e a Rússia.

Segundo o Washington Post, os dois funcionários se negaram a emitir as declarações.

Trump nega qualquer conluio entre ele ou algum de seus assessores com a Rússia durante a campanha eleitoral.

O advogado de Trump, Marc Kasowitz, disse que o FBI está por trás da notícia do Post e qualificou o vazamento de "indigno, indesculpável e ilegal", mas não desmentiu a versão.

Segundo a imprensa, "a investigação sobre o presidente por obstrução da Justiça começou dias depois da demissão de James Comey, em 9 de maio".

Mueller foi nomeado procurador especial para garantir a independência da investigação na semana seguinte, em 17 de maio.

Segundo o código dos Estados Unidos, que reúne o conjunto de leis federais do país, "qualquer pessoa que tente, de forma corrupta, influenciar, bloquear ou impedir a boa administração da Justiça deve ser punido". O crime é passível de uma pena de prisão que não exceda cinco anos.

Especialistas consideram pouco provável que o Departamento de Justiça tome a iniciativa de indiciar um presidente em exercício, mesmo que a investigação de Mueller conclua que houve obstrução da Justiça por parte de Trump.

Mas esta eventualidade pressionaria o Congresso, de maioria republicana, a colocar em andamento um processo político de destituição (impeachment) contra o presidente.

Os processos de impeachment realizados contra os presidentes Bill Clinton, em 1998, e Richard Nixon, em 1974, basearam-se, em ambos os casos, de acusações de obstrução da Justiça.

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