Macron se encaminha para vitória clara nas legislativas francesas

Paris, 16 Jun 2017 (AFP) - O presidente francês, Emmanuel Macron, se encaminha para obter uma ampla maioria parlamentar no domingo, um resultado que lhe permitiria realizar as prometidas reformas e confirmaria a queda dos partidos tradicionais na França.

Macron espera conseguir no segundo turno das eleições legislativas de domingo uma confirmação por parte dos franceses após sua vitória em maio nas presidenciais contra a candidata de extrema direita, Marine Le Pen.

Com uma maioria absoluta na Assembleia Nacional, o presidente mais jovem da história da França, com 39 anos, teria o caminho livre para aplicar suas ambiciosas reformas com as quais aspira tornar o mercado de trabalho mais liberal.

Segundo as últimas projeções, seu movimento político - A República em Marcha (LREM) -, aliado do centrista MoDem, obteria de 400 a 470 cadeiras do total de 577 da Assembleia Nacional.

Enquanto isso, os dois grandes partidos tradicionais de esquerda e de direita, o Partido Socialista e Os Republicanos, que dominaram a vida política francesa há meio século, sofreriam um novo revés nas urnas.

O partido do antecessor de Macron, o socialista François Hollande, que controlava até agora a Assembleia com cerca de 300 deputados, teria apenas de 15 a 40 cadeiras das 577.

Os Republicanos, com uma projeção de 60 a 80 cadeiras, se tornaria o principal partido de oposição, mas sua margem de manobra seria limitada.

Os eleitores rejeitaram no primeiro turno "tudo o que representava o sistema anterior e quiseram apostar em algo novo", resumiu o constitucionalista Didier Maus.

Mas aconteça o que acontecer, a renovação da Assembleia está garantida, com somente 222 deputados em fim de mandato que foram para o segundo turno, a entrada em vigor de uma lei contra o acúmulo de mandatos e o surgimento de uma nova geração de candidatos.

- Debate "em risco" -No primeiro turno das legislativas, o LREM liderou os resultados com 32,3% dos votos, à frente da direita (21,5%), da esquerda radical (13,7%), da extrema direita (13,2%) e dos socialistas (9,5%).

Entretanto, sua vitória se viu ofuscada por um nível recorde de abstenção, 51,29%, algo nunca antes visto na França em eleições legislativas desde a fundação da V República, em 1958.

O porta-voz do governo, Christophe Castaner, admitiu que esta cifra, sete pontos a menos em comparação com a mesma eleição em 2012, foi o grande "fracasso" dessa votação.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, urgiu que suas tropas permaneçam mobilizadas até o último minuto.

"Sei por experiência que uma eleição não está ganha até o último dia, inclusive até o último minuto do último dia", sustentou o chefe de governo, que pediu as franceses para darem uma maioria ao Executivo.

Diante da ruína anunciada dos partidos tradicionais, seus líderes advertem sobre os perigos de se ter um Parlamento sem oposição.

"Ter uma maioria absoluta pode acarretar no risco de não existir debate" na Assembleia, advertiu o chefe do partido Os Republicanos, François Baroin.

Na mesma linha, o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que obteve 19,6% dos votos no primeiro turno das presidenciais, pediu aos franceses que não deem a Macron um "poder absoluto".

"Somos nós a força de oposição, se não o fizerem, vão acabar com um partido único e 570 circunscrições Macron. É uma loucura! [...] Vamos ter menos representantes da oposição do que na Rússia", afirmou.

O partido de extrema direita Frente Nacional, de Marine Len, teria apenas de um a seis deputados, um número insuficiente para criar um grupo parlamentar.

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