Partido de Macron a caminho de uma maioria arrasadora no parlamento

Paris, 17 Jun 2017 (AFP) - Os franceses devem conceder uma maioria arrasadora ao presidente Emmanuel Macron no segundo turno das legislativas neste domingo, ao término de eleições marcadas por uma forte abstenção e à crise dos partidos tradicionais.

Mais de 47 milhões de eleitores estão convocados às urnas para esta votação que poderá voltar a ser marcada por uma importante abstenção, depois do recorde histórico (51,3%) do primeiro turno.

Macron espera conseguir uma confirmação por parte dos franceses após sua vitória em maio nas presidenciais contra a candidata de extrema direita, Marine Le Pen.

Com uma maioria absoluta na Assembleia Nacional, o presidente mais jovem da história da França, com 39 anos, teria o caminho livre para aplicar suas ambiciosas reformas com as quais aspira tornar o mercado de trabalho mais liberal.

Segundo as últimas projeções, seu movimento político - A República em Marcha (LREM) -, aliado do centrista MoDem, obteria de 400 a 470 cadeiras do total de 577 da Assembleia Nacional.

O movimento político de Macron, A República em Marcha (LREM), criado há apenas um ano, arrasou em 11 de junho com 32,3% dos votos, muito adianta da direita (21,5%), da extrema-direita (13,2%), da esquerda radical (13,7%) e do Partido Socialista (9,5%).

Enquanto isso, os dois grandes partidos tradicionais de esquerda e de direita, o Partido Socialista e Os Republicanos, que dominaram a vida política francesa há meio século, devem sofrer um novo revés nas urnas.

O partido do antecessor de Macron, o socialista François Hollande, que controlava até agora a Assembleia com cerca de 300 deputados, teria apenas de 15 a 40 cadeiras das 577.

Os Republicanos, com uma projeção de 60 a 80 cadeiras, se tornaria o principal partido de oposição, mas sua margem de manobra seria limitada.

Os eleitores rejeitaram no primeiro turno "tudo o que representava o sistema anterior e quiseram apostar em algo novo", resumiu o constitucionalista Didier Maus.

Mas aconteça o que acontecer, a renovação da Assembleia está garantida, com somente 222 deputados em fim de mandato que foram para o segundo turno, a entrada em vigor de uma lei contra o acúmulo de mandatos e o surgimento de uma nova geração de candidatos.

Diante da ruína anunciada dos partidos tradicionais, seus líderes advertem sobre os perigos de se ter um Parlamento sem oposição.

"Ter uma maioria absoluta pode acarretar no risco de não existir debate" na Assembleia, advertiu o chefe do partido Os Republicanos, François Baroin.

Na mesma linha, o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, pediu aos franceses que não deem a Macron um "poder absoluto".

"Somos nós a força de oposição, se não o fizerem, vão acabar com um partido único e 570 circunscrições Macron. É uma loucura! [...] Vamos ter menos representantes da oposição do que na Rússia", afirmou.

O partido de extrema direita Frente Nacional, de Marine Len, teria apenas de um a seis deputados, um número insuficiente para criar um grupo parlamentar.

dch-sg/dab/acc.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos