EUA tentam reforçar laços com a China para pressionar Coreia do Norte

Washington, 20 Jun 2017 (AFP) - O governo americano de Donald Trump receberá nesta quarta-feira duas das mais importantes autoridades chinesas para aprofundar o diálogo entre as duas potências mundiais e testar os chineses sobre a questão norte-coreana.

O chefe da diplomacia chinesa, Yang Jiechi, e o chefe do Estado Maior do Exército Popular de Libertação (APL), Fang Fenghui, são esperados em Washington para uma rara reunião com o secretário de Estado Rex Tillerson e o chefe do Pentágono Jim Mattis.

Os esforços do presidente Trump para redistribuir as cartas da diplomacia americana tiveram resultados contraditórios. Mas os progressos alcançados com a China é algo significativo que as autoridades americanas esperam que dê frutos.

Em abril, Donald Trump recebeu o presidente chinês Xi Jinping em sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida. A retórica hostil à China durante a campanha presidencial deu lugar a uma aproximação.

No mês passado, Pequim e Washington assinaram um acordo, embora limitado, de abertura recíproca dos seus mercados. E Terry Branstad, governador de Iowa e amigo de Xi Jinping, foi confirmado pelo Senado como embaixador americano na China.

Mas pontos de tensão permanecem, especialmente em relação à situação nas águas disputadas do Mar da China Meridional. Acima de tudo, os Estados Unidos gostariam que a China exerce uma pressão real sobre o regime norte-coreano de Kim Jong-Un.

A Coreia do Norte será a principal questão discutida neste primeiro "diálogo diplomático e de segurança EUA-China", segundo Susan Thornton, vice-secretária de Estado para a Ásia-Pacífico.

"Continuamos a pedir à China para usar sua influência sobre a Coreia do Norte, incluindo por meio da plena aplicação das sanções do Conselho de Segurança da ONU" destinada a freiar o programa nuclear norte-coreano, disse ela.

Apesar das sanções internacionais, a Coreia do Norte possui um pequeno arsenal de armas nucleares e desenvolve mísseis balísticos que poderiam ameaçar o Japão, Coreia do Sul e talvez cidades americanas num futuro próximo.

Os Estados Unidos têm cerca de 28.000 soldados estacionados na Coreia do Sul, bem como uma frota poderosa na região. Mas sua pressão diplomática e econômica é limitada.

- Morte de Otto Warmbier -A repatriação na semana passada de um jovem americano de 22 anos detido por um ano pelo regime de Pyongyang aumentou ainda mais a tensão entre Washington e Pyongyang.

Otto Warmbier, preso durante uma viagem e acusado de tentar roubar um cartaz de propaganda, foi trazido de volta aos Estados Unidos em coma profundo, com extensos danos cerebrais. Ele faleceu na segunda-feira junto a sua família, seis dias depois de seu retorno ao país.

Donald Trump aproveitou a ocaisão para denunciar na segunda-feira o "regime brutal" da Coreia do Norte.

O bilionário fez do fim do programa nuclear norte-coreano uma prioridade da sua política externa. Ele concordou em silenciar suas críticas sobre os desequilíbrios comerciais para obter ajuda de Pequim sobre esta questão.

Mas apesar de a China ter reforçado seu controle sobre o comércio de carvão norte-coreano, principal fonte de renda do regime, muitos especialistas acreditam que ainda não está pronto para adotar sanções que ameacem a estabilidade de seu vizinho imprevisível.

"Vamos focar na ameaça particularmente urgente representada pela Coreia do Norte", disse Susan Thornton. "Nós não esperamos resolver este problema na quarta-feira. Mas esperamos fazer progressos em outras questões, tais como medidas de confiança entre os dois exércitos", acrescentou.

O general americano Joseph Dunford indicou na segunda-feira que era muito cedo para avaliar o impacto da cúpula EUA-China de Mar-a-Lago sobre o regime de Kim Jong-Un.

O Pentágono irá manter as linhas de comunicação com a China para evitar qualquer escalada no Mar da China Meridional. Mas esta questão é distinta dos esforços diplomáticos sobre a Coreia do Norte, disse ele.

"O secretário de Estado Tillerson disse que a cooperação com a China é um elemento-chave para o sucesso da desnuclearização da península" coreana, acrescentou.

"A dimensão militar surge em apoio aos esforços diplomáticos e econômicos do Departamento de Estado. Ao mesmo tempo, temos uma posição na região que nos permite dissuadir KJU (Kim Jong-Un), mas também responder em caso de falha de dissuasão", assegurou.

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