Santos: Farc deixa de existir nesta sexta após entrega de armas à ONU

Paris, 23 Jun 2017 (AFP) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou em Paris que a ONU anunciará nesta sexta-feira que as FARC entregaram "100% de suas armas", o que fará com que deixe de existir como um grupo guerrilheiro após mais de meio século de conflito armado.

"Hoje, as FARC, a guerrilha mais antiga e mais poderosa da América Latina, deixará de existir", afirmou o presidente em um fórum econômico com líderes empresariais em Paris.

Santos, que está na França desde quarta-feira em visita oficial, disse que esta notícia "muda a história da Colômbia".

O prêmio Nobel da Paz de 2016, que busca promover seu país para o período pós-conflito, convidou os empresários franceses a investir na Colômbia, garantindo que seu país se tornará um dos países mais promissores da América Latina.

Desde terça-feira, a guerrilha marxista entregou os restantes 40% de suas armas para a missão da ONU na Colômbia, como parte do processo de paz alcançado no ano passado com o governo de Juan Manuel Santos.

Os outros 60% foram entregues nas últimas duas semanas.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) têm mais de 900 esconderijos de armas que devem ser destruídos pela ONU o mais tardar em 1º de setembro, de acordo com o acordo de paz assinado em novembro, em Cuba.

"Hoje, mais de 7.000 homens e mulheres desta guerrilha estão concentrados em 26 zonas ao longo de nosso território, entregando as armas que tinham consigo às Nações Unidas", explicou Santos nesta sexta, em um discurso na sede da Unesco, posterior a sua intervenção ante os empresários.

Mas o presidente reconheceu que seu país enfrenta ainda desafios, entre outros o de garantir uma justiça de transição para as vítimas, desminar o território - a Colômbia, afirmou, é o país com maior número de minas do mundo depois do Afeganistão -, e reincorporar os ex-guerrilheiros à vida civil, incluindo a participação na política, uma vez concluído o desarmamento.

Admitiu, no entanto, que uma parte dos colombianos "não aceita outra saída que a prisão ou o extermínio" para os ex-guerrilheiros, mas defendeu "que a paz é trocar as balas pelos votos, as armas pelos argumentos, a violência pela democracia".

O conflito armado envolveu guerrilheiros, paramilitares e agentes do Estado, deixando pelo menos 260.000 mortos, 60.000 desaparecidos e 7,1 milhões de deslocados.

Santos afirmou que a única forma de construir uma sociedade de paz é com as ferramentas da educação, cultura, ciência e comunicação e destacou que, "pela primeira vez na história da Colômbia, o orçamento da educação e maior dentro do orçamento nacional".

Com isso, está garantida, por exemplo, a educação gratuita em todos os colégios oficiais.

O presidente colombiano concluirá nesta sexta-feira a visita oficial participando de atos como a inauguração da Praça Gabriel García Márquez em Paris e a abertura da segunda parte do ano França-Colômbia, com um concerto de meninos franceses e colombianos ao qual também assistirá seu colega francês, Emmanuel Macron.

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