Johnny Depp se desculpa por piada sobre assassinato de Trump

  • Reprodução/Around Movies

Los Angeles, 23 Jun 2017 (AFP) - O ator Johnny Depp pediu desculpas ao presidente Donald Trump, nesta sexta-feira, depois de fazer piada sobre o assassinato do líder do governo americano, o que gerou reação irritada do público de um festival de música.

O astro de "Piratas do Caribe" fez o comentário na noite de quinta-feira (22), durante o festival de Glastonbury, no sudoeste da Inglaterra. Depp disse ao público que fazia algum tempo que um ator não matava um presidente.

A piada recebeu resposta severa da Casa Branca, mas o ator disse que não tinha intenções maliciosas nas palavras

"O presidente Trump condenou qualquer tipo de violência, mas está claro que pessoas como Johnny Depp não seguiram seu caminho", comentou a porta-voz de Trump, Sarah Huckabee Sanders.

"Eu espero que alguns do colegas de Depp falem algo contra esse tipo de retórica. Precisam ser tão intensos quanto foram os comentários direcionados para um oficial Democrata eleito", acrescentou.

Em declaração para a revista de celebridades People, o ator de 54 anos pediu desculpas pelo incidente. Segundo Depp, as palavras "não soaram como o desejado".

"Eu estava tentando divertir, não queria machucar ninguém", disse o astro.

"Eu me desculpo pela brincadeira de mau gosto que tentei fazer ontem à noite sobre o presidente Trump", acrescentou.

A celebridade compareceu ao cinema drive-in em Glastonbury, apresentando o filme "The Libertine", estrelado por ele em 2004. Depp respondeu perguntas para um público de 1.500 pessoas.

"Eu acho que ele precisa de ajuda. Existem muitos lugares escuros, obscuros que ele poderia ir", comentou Depp quando perguntado sobre Trump.

"Quando foi a última vez que um ator assassinou um presidente? Só para constar, eu não sou um ator. Eu minto para viver. Ainda assim, já faz um tempo e talvez tenha chegado a hora", acrescentou o astro.

Em 1865, o presidente Abraham Lincoln foi assassinado com um tiro pelo ator John Wilkes Booth, no teatro de Washington.

"Isto vai sair na imprensa e vai ser horrível", admitiu o ator, dirigindo-se ao público do Glastonbury, dizendo se sentir feliz de todos serem parte disto.

- 'Falta indignação' -Depp é o mais recente expoente da indústria do entretenimento a fazer comentários controversos sobre Trump.

A cantora Madonna virou alvo de investigação do Serviço Secreto, depois de dizer que queria "explodir a Casa Branca".

A comediante Kathy Griffin perdeu o posto de apresentadora do ano novo, na CNN, após postar foto segurando uma máscara estilizada, com o rosto de Trump ensanguentado.

Uma produção da peça "Julius Caesar", de Shakespeare, foi interrompida por protestantes irritados com a atuação. Na peça, Trump, retratado como Caesar, é esfaqueado até a morte.

O secretária de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, descreveu os casos da peça e de Depp como problemáticos, em comunicado para a mídia nesta sexta-feira.

"É problemática a falta de indignação vista em alguns desses lugares, onde pessoas disseram o que disseram a respeito do presidente", comentou.

"O presidente deixou claro que nós temos que denunciar a violência em todas suas formas", acrescentou Spicer.

Depp foi figura fácil nas recentes manchetes, por polêmicas relacionadas aos gastos desmedidos, que o deixaram à beira da falência.

Durante quase 20 anos, o ator gastou a quantia aproximada de dois milhões de dólares por mês, de acordo com a empresa The Management Group (TMG), que apresentou uma ação contra Depp em Los Angeles por uma dívida que não foi paga.

Em agosto de 2016, Johnny Depp e Amber Heard chegaram a um acordo para encerrar seus 18 meses de casamento, depois de uma tumultuada separação que terminou em acusações de maus-tratos. O ator concordou de pagar aproximadamente 8 milhões de dólares à ex-mulher.

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