Almagro descarta renunciar ao comando da OEA em troca do retorno da Venezuela à organização

Washington, 24 Jun 2017 (AFP) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, descartou neste sábado a possibilidade de renunciar ao cargo em troca do retorno da Venezuela à entidade continental, mas prometeu fazê-lo quando existir "liberdade" no país.

"Recebi uma proposta de negociação: minha renúncia em troca do retorno da Venezuela à OEA", revelou Almagro em um vídeo, no qual não menciona detalhes sobre quando recebeu a oferta.

"Ofereço meu cargo em troca da liberdade da Venezuela", disse o diplomata uruguaio

"Jamais renunciaremos até ter em nossas mãos a liberdade da Venezuela", completou.

Almagro especificou que deixará sua posição "quando forem realizadas eleições nacionais livres e transparentes, com observação internacional e sem inabilitados, quando libertarem todos os presos políticos e anistiarem os exilados".

Entre as condições que mencionou para apresentar sua renúncia, também citou o julgamento dos "assassinos de cada um dos manifestantes, assim como a sua cadeia de comando".

A Venezuela iniciou em abril o processo de saída da organização, que deve demorar dois anos para ser concretizado.

Apesar dos insistentes esforços de Almagro, a Assembleia Geral da OEA, reunida esta semana no balneário mexicano de Cancún, não alcançou um consenso para emitir uma declaração sobre a situação do país, que vive uma crise política marcada por intensos protestos que já deixaram 75 mortos.

Na Assembleia, 20 países promoveram um documento, mas a reunião terminou sem uma resolução ou uma declaração sobre o tema por não ter alcançado o mínimo necessário de 23 votos.

Um dia após o fim da Assembleia, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que o país "nunca mais" retornará à OEA.

Maduro definiu a falta de acordo dentro da OEA como uma "vitória diplomática e política", mas já antecipou que não reconhecerá qualquer decisão futura do bloco.

Em uma entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros, o presidente venezuelano afirmou que Almagro "deveria renunciar à OEA" e permitir que os países recuperassem e reorganizassem a OEA (...) "Seria a única forma que eu pensaria em algum regresso".

Maduro anunciou esta semana a renúncia de Delcy Rodríguez como chanceler da Venezuela para participar da próxima Assembleia Constituinte. Em seu lugar o presidente nomeou Samuel Moncada, que era o embaixador do país na OEA.

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