Arlene Foster, uma política marcada pelo conflito na Irlanda do Norte

Belfast, 26 Jun 2017 (AFP) - Responsável pelo apoio que dará à primeira-ministra Theresa May condições de permanecer no poder no Reino Unido, Arlene Foster é uma política unionista norte-irlandesa endurecida pelo conflito nessa nação.

Quando tinha apenas oito anos, seu pai, um policial, foi gravemente ferido com um disparo na cabeça por um integrante da organização armada católica IRA (Exército Republicano Irlandês). O atentado contra ele foi cometido na fazenda da família.

Aos 16 anos, o ônibus escolar de Arlene explode pelos ares, também atingido por uma bomba do IRA. O objetivo era matar o motorista, que era membro, em meio período, das forças de segurança.

Nesta segunda, aos 46 anos, Arlene selou um acordo com Theresa May para que os dez deputados de sua legenda - o Partido Democrata Unionista (DUP, na sigla em inglês) - apoiem os conservadores da primeira-ministra no Parlamento Britânico. Com isso, May passa a garantir maioria absoluta na Câmara dos Comuns.

Com esse arranjo, Arlene ganha o direito de influir nas negociações sobre a saída da União Europeia (UE). Embora o DUP tenha apoiado o Brexit no referendo de 2016, o partido quer que a fronteira com a Irlanda - a única terrestre entre o Reino Unido e a UE - continue aberta para não prejudicar a economia local.

Se, por um lado, Foster ganha o poder de fazer afundar, ou manter vivos, May e sua administração, por outro, não consegue formar governo em sua província. Em casa, ela enfrenta a oposição do Sinn Fein católico por suspeita de envolvimento em um escândalo de corrupção.

Na prática, isso significa que Foster não tem o poder garantido na Irlanda do Norte. Em virtude dos acordos de paz, ela precisa, obrigatoriamente, formar uma coalizão de governo com o Sinn Fein católico e republicano.

O dia 29 de junho foi a data-limite imposta pelo governo britânico para que ambos cheguem a um acordo, sob o risco de paralisar o governo norte-irlandês.

- 'É parte de quem sou'Rebatendo os que dizem se preocupar com a agenda desse partido de extrema direita - contrário ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de cético em relação à mudança climática -, Arlene Foster garante que o DUP vai confundir seus críticos.

Em entrevista ao jornal "Belfast Telegraph", essa advogada e veterana da assembleia norte-irlandesa, acostumada com duras negociações e com adversidades, admitiu que a violência presenciada ainda jovem teve muita influência em sua vida.

"É parte de quem sou, e não se pode negar. Moldou meus anos da adolescência e deu forma às minhas decisões políticas, mas, ao mesmo tempo, não acredito que devamos permitir ao passado definir tudo o que fazemos no futuro", comentou.

Seu pai, John Kelly, sobreviveu ao atentado do IRA, mas a família teve de abandonar a propriedade rural em que viviam e foram se instalar em um lugar mais seguro, na cidade de Lisnaskea.

Foster se formou em Direito pela Universidade Queen's, de Belfast.

Durante seu exercício da advocacia, conheceu aquele que seria seu marido, Brian Foster. O casal tem três filhos.

- Aplausos no enterro de McGuinnessEm 2003, Arlene Foster foi eleita deputada da assembleia norte-irlandesa pelo Partido Unionista do Ulster (UUP, na sigla em inglês). Um ano depois, passou para o DUP.

Em janeiro de 2016, tornou-se primeira-ministra. Devido aos acordos de paz de 1998 - após 30 anos de conflito e de um saldo de mais de 3.500 mortos -, seu vice-premiê era um velho inimigo: o ex-comandante do IRA Martin McGuinness.

A convivência não foi fácil, mas, depois da morte de McGuinness, meses após sua saída do poder, Foster compareceu a seu funeral no reduto republicano de Derry. O gesto lhe valeu aplausos dos presentes.

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