Republicanos se rebelam contra anulação do Obamacare

Washington, 27 Jun 2017 (AFP) - Em uma semana crucial para uma grande promessa de campanha de Donald Trump, a anulação da reforma de saúde de seu antecessor, Barack Obama, o presidente americano denunciou nesta segunda-feira a obstrução dos democratas, mas são os próprios republicanos que ameaçam a iniciativa.

Em um momento em que a Suprema Corte deu uma vitória parcial ao presidente ao voltar a pôr em vigor parte de seu decreto anti-imigração, o destino do projeto de anulação do "Obamacare", aprovado em 2010, ficou nas mãos de um punhado de senadores republicanos, particularmente daqueles que representam estados que se beneficiam notoriamente da reforma de Obama há sete anos.

Este grupo de senadores não quer privar milhões de seus compatriotas de uma cobertura de saúde com o pretexto de respeitar uma promessa de campanha.

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) divulgou um novo informe no qual estima que, devido a cortes no orçamento da saúde, 49 milhões de pessoas ficariam sem seguro médico em 2026 se esta reforma sanitária for aprovada, contra 28 milhões se o Obamacare for mantido.

Na versão aprovada em maio pela Câmara de Representantes, este número era de 51 milhões.

O Senado tem cem membros, dos quais 52 são republicanos. Toda a bancada democrata se opõe, de forma que os republicanos só se podem permitir duas desistências para poder aprovar a lei da reforma de saúde durante uma votação prevista para o fim desta semana.

"Os senadores republicanos trabalham duro, sem nenhuma ajuda dos democratas. Não é fácil! Talvez tenha que deixar que o Ocare (Obamacare) desabe!" - tuitou Trump na segunda-feira.

No entanto, segundo a própria contagem, pelo menos cinco republicanos tinham tomado posição contra o projeto de anulação apresentado na quinta-feira por seu partido, entre eles quatro ultraconservadores que consideram o texto generoso demais.

Mas agora que se conhece finalmente o informe da CBO, mais republicanos poderiam se somar ao grupo de legisladores que se opõem a aprovar a lei.

Uma lei "malvada"A nova legislação suprimirá, em nome da liberdade individual, a obrigação de contratar um seguro, prevista na reforma de Obama. E serão reduzidas progressivamente as ajudas federais ao sistema de saúde, em particular ao sistema público que atende os mais pobres, o Medicaid, que dá cobertura a um em cada cinco americanos.

Após ter denunciado o Obamacare durante anos, vários republicanos constatam que é politicamente insustentável retificar os benefícios, sobretudo para os milhões de novos segurados da Medicaid, pilar da proteção social, cujas condições de acesso foram facilitadas durante o governo Obama.

"Não posso apoiar uma lei que priva de seguro dezenas de milhões de americanos e centenas de milhares de moradores de Nevada", advertiu o republicano Dean Heller.

Trump admitiu no fim de semana em entrevista com a Fox News que tinha qualificado de "malvada" a primeira versão do texto, aprovada pela Câmara de Representantes.

A Casa Branca criticou, ainda, a metodologia usada pela CBO para fazer seus cálculos, citando algumas de suas previsões anteriores que finalmente não se cumpriram na prática.

"Não vejo como farão para aprovar a lei esta semana", resumiu a senadora moderada Susan Collins, do Maine. Segundo ela, sete em cada oito republicanos moderados são céticos a respeito do projeto. Chegar a um compromisso equivale a encontrar o ângulo de um círculo. Qualquer mudança que satisfaça os moderados afastaria os conservadores e vice-versa.

Os quatro rebeldes ultraconservadores lamentam que o projeto republicano mantenha em vigor bilhões de subvenções e inúmeras regulamentações. Querem a anulação total e absoluta do Obamacare.

"Não votarei a favor de algo que se parece tanto com o Obamacare e não resolve os problemas fundamentais do Obamacare", repetiu o senador Rand Paul, do Kentucky, em declarações no domingo à ABC.

As negociações no seio da maioria republicana vão continuar por toda a semana e será celebrada uma maratona de votações sobre emendas antes da votação final, a menos que o chefe da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, se decida a retirar o texto por causa do bloqueio.

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