Maduro afirma que helicóptero da polícia lançou granadas contra Supremo

Caracas, 28 Jun 2017 (AFP) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou nesta terça-feira que um helicóptero da polícia lançou duas granadas contra a sede do Supremo Tribunal em Caracas, como parte do que considerou um "ataque terrorista".

"A Força Armada toda foi acionada para defender a tranquilidade. Mais cedo ou mais tarde vamos capturar o helicóptero e os que realizaram este ataque terrorista", assinalou o presidente durante um ato por ocasião do Dia do Jornalista, no Palácio Presidencial de Miraflores.

Maduro afirmou que o helicóptero que atacou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) pertence à polícia a científica venezuelana.

"Havia no TSJ uma atividade social, isto poderia ter causado uma tragédia. Atiraram contra o TSJ e depois sobrevoaram o Ministério de Interior e Justiça. Este é o tipo de escalada armada que venho denunciando", disse Maduro, acrescentando que uma das granadas não explodiu.

O presidente informou que a aeronave era conduzida por um homem que foi piloto do seu ex-ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez Torres, general reformado que se distanciou do governo e que Maduro acusa de envolvimento em um plano para derrubá-lo.

O ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, afirmou que a aeronave era pilotada por um "indivíduo que pegou em armas contra a República".

Nas redes sociais circularam fotos de um helicóptero sobrevoando Caracas com um cartaz que dizia "350 Liberdade", em referência ao artigo constitucional que permite ignorar os governos que não respeitam as garantias democráticas.

Nas imagens é possível observar duas pessoas no helicóptero, sendo uma com o rosto coberto.

A imprensa local divulgou um vídeo de um homem que se define como investigador da polícia científica, que teria utilizado o helicóptero e que declara que sua luta é "contra a tirania".

"Pedimos que nos acompanhem nesta luta, vamos às ruas (...). Nossa missão é viver a serviço do povo", diz o homem no vídeo.

Maduro enfrenta desde 1º de abril uma onda de protestos que exige sua saída, e que já deixou 76 mortos.

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