Após auge do fluxo de refugiados, meta agora é integrar, diz OCDE

Paris, 29 Jun 2017 (AFP) - O "pico" da crise humanitária dos refugiados "ficou para trás", e a prioridade agora deve ser a integração, um "desafio" para políticas nacionais e internacionais - avalia a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em seu relatório anual sobre migrações divulgado nesta quinta-feira (29).

Os fluxos "sem precedentes" do final de 2015 e início de 2016 "diminuíram" no último ano. Houve 72 mil chegadas à costa europeia desde o início de 2017, ou seja, "12 vezes menos do que na segunda metade de 2015", relata o diretor para Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais na OCDE, Stefano Scarpetta.

"Muitos dos que chegaram à Europa para fugir dos países em conflito permanecerão, certamente, um tempo" e, por isso, agora "é hora de se concentrar na maneira de ajudar essas pessoas a se instalarem em seus novos países de acolhida" e a "se integrar ao mercado de trabalho", acrescenta.

Em 2016, os países da OCDE registraram mais de 1,6 milhão de pedidos de asilo, assim como em 2015. Deste total, "pelo menos 1,5 milhão" de refugiados obteve asilo, destaca o documento.

Pelo quarto ano consecutivo, a Alemanha foi o país mais procurado (675 mil primeiros pedidos de asilo), apesar de, por atrasos no processamento, "a maioria ter chegado em 2015". Na sequência, vêm Estados Unidos (260 mil), Itália (120 mil), França e Turquia (perto de 80 mil). Fora da Alemanha, o número de solicitações "caiu, de fato, 25%" nos países da OCDE entre 2015 e 2016.

Quase metade dos pedidos foi apresentada por cidadãos de Síria, Afeganistão e Iraque. Também se registram fortes especificidades nacionais: gambianos e nigerianos na Itália, sudaneses na França, e iranianos na Grã-Bretanha, por exemplo.

Em um contexto de crise econômica, a "importância repentina" desses fluxos "levantou preocupação da população", que exige políticas "mais seletivas e restritivas", ou até "o fechamento total das fronteiras", relata Scarpetta.

- 'Maior conscientização'Ao mesmo tempo, essa preocupação veio acompanhada de uma "maior conscientização sobre a necessidade de facilitar a instalação dos refugiados" com "uma maior mobilização dos diferentes atores" para facilitar a integração dos poderes públicos e das ONGs a empregadores e sindicatos, mas também "da sociedade civil em um sentido mais amplo".

De fato, "estão acontecendo mudanças importantes para integrar melhor os refugiados", celebra esse diretor da OCDE, que considera "emblemático" o programa lançado pela Suécia e a lei sobre a integração da Alemanha.

Ele reconhece, contudo, que, em determinados países, as políticas públicas "ainda têm um certo atraso".

Entre os obstáculos, estariam os custos econômicos e o impacto que essas políticas podem ter nas relações internacionais.

"Trata-se de fazer das políticas de integração uma prioridade, não apenas em nível nacional, como internacional", garante Scarpetta.

Isso representa um "desafio", já que, "no passado, a integração - com frequência - pode ter deixado a desejar", completa.

Assim, a taxa de desemprego entre os imigrantes é quase 5 pontos superior à das pessoas nascidas no país.

"Estamos em uma encruzilhada", avalia Scarpetta, considerando-se que, desde 2007, as migrações atingiram um ápice em 2016, um ano antes da crise econômica: quase 5 milhões de pessoas entraram de forma permanente nos países da OCDE.

Esses números incluem os refugiados, mas as migrações familiares e a livre-circulação "continuam sendo preponderantes".

Em 2015, último ano do qual a OCDE tem números definitivos, concedeu-se 1,5 milhão de vistos para estudante e 1,6 milhão para famílias.

"Em geral, os países continuaram facilitando a admissão dos trabalhadores qualificados", como Itália, França, ou Estônia, aponta o informe, que relata uma alta de "mais de 10%" das migrações dentro das empresas e "de 3%" dos trabalhadores deslocados dentro da UE.

Na Espanha, pela primeira vez desde o começo da crise econômica, a migração líquida foi positiva em 2015 (+38.300 pessoas). Esse número pode ser visto como um indicador da recuperação econômica, fruto de um aumento moderado da imigração (+10%) e de uma queda de mais de 20% na emigração.

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