Chefe de Inteligência da Venezuela é denunciado por violar direitos humanos

Em Caracas

  • Luis Robayo/AFP Photo

    A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega

    A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega

A procuradoria da Venezuela denunciou o general Gustavo González López, diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), por supostas violações dos direitos humanos, informou o órgão nesta sexta-feira (30), elevando ainda mais a temperatura do confronto com o presidente Nicolás Maduro.

O general González López é suspeito de cometer "graves e sistemáticas violações" dos direitos humanos, destaca o comunicado do Ministério Público. Ministro do Interior e Justiça até agosto de 2016, o general foi convocado para prestar depoimento na próxima terça-feira, mesmo dia em que a procuradora-geral, Luisa Ortega, deverá comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que decidirá sobre seu julgamento.

Na véspera, a Procuradoria denunciou pelos mesmos crimes o general Antonio Benavides Torres, que até 20 de junho passado foi comandante da Guarda Nacional. A denúncia contra Benavides Torres envolve supostos abusos durante protestos contra Maduro, que já deixaram 82 mortos nos últimos três meses, incluindo 23 óbitos atribuídos a policiais e militares, segundo a Procuradoria.

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O processo contra González López envolve investigações por "batidas arbitrárias, privações ilegítimas de liberdade" e casos de pessoas que permanecem detidas apesar da ordem de soltura. O chefe do Sebin - considerado pela oposição como a polícia do governo - foi alvo de sanções dos Estados Unidos, junto com outros oficiais venezuelanos, por violar os direitos humanos.

Sempre circunspecto e de poucas palavras, González López é um dos militares mais ligados a Maduro, que destaca sua lealdade. Horas após a denúncia, Maduro promoveu González López a "general em chefe". "Anuncio que hoje o general Gustavo González López, chefe do Sebin e que capturou terroristas (como o governo chama os opositores) foi promovido a general em chefe", declarou o presidente em um ato em Caracas.

"A procuradoria pretende agora perseguir os altos oficiais bolivarianos, filhos de (Hugo) Chávez, que se colocaram à frente para defender a República (...). Quero que o povo os apoie", afirmou o presidente. 

A procuradoria realiza 450 investigações por violações dos direitos fundamentais com base na repressão dos protestos contra Maduro, incluindo lesões causadas a 853 pessoas pelas forças de segurança. As investigações já evidenciaram o "uso excessivo da força, o emprego de armas de fogo não autorizadas, tratamento cruel e tortura", além de batidas sem autorização judicial e danos a propriedades. 

Na quarta-feira passada, Ortega denunciou que na Venezuela há "terrorismo de Estado", em uma de suas mais duras acusações contra o governo Maduro. Ortega, uma chavista histórica, afirma que Maduro quebrou a ordem constitucional ao convocar uma Assembleia Constituinte sem consulta em referendo.

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