Forças Democráticas Sírias entram pelo sul de Raqa pela primeira vez

Beirute, 3 Jul 2017 (AFP) - As forças apoiadas pelos Estados Unidos na Síria cruzaram o rio Eufrates e entraram neste domingo (2) pela primeira vez pelo sul no bastião do Estado Islâmico em Raqa, onde os jihadistas resistem ferozmente, relatou o Observatório dos Direitos Humanos (OSDH).

Após um cerco que durou meses, as Forças Democráticas Sírias (FDS) - uma aliança de combatentes curdos e árabes - bloqueou na quinta-feira (29) a última saída que permitia a fuga dos combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) dessa cidade setentrional, ao tomar uma região ao sul do Eufrates.

"Hoje, [as FDS] entraram pelo sul de Raqa pela primeira vez e tomaram o mercado de Al-Hal", anunciou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, neste domingo.

"O mercado está sob controle total das FDS, ainda que sob ameaça de contra-ataque do EI", ressaltou.

A reconquista de Al-Hal foi confirmada pelas FDS neste domingo.

Desde sua entrada em Raqa, em 6 de junho, as FDS controlaram vários bairros nas zonas leste e oeste, mas enfrentam uma forte resistência do grupo EI à medida que avançam em direção ao centro da cidade.

No domingo, houve combates entre as FDS e os jihadistas em Al-Senaa, no leste de Raqa. Este bairro tinha sido conquistado pelas FDS menos de uma semana depois da sua entrada na cidade, mas o EI as expulsou na sexta-feira por meio de um série de atentados.

Al-Senaa tem uma importância estratégica, tanto para o EI como para as FDS, porque o setor controla o acesso ao centro da cidade, onde os extremistas estão entrincheirados.

Dois dias depois do seu contra-ataque, as FDS tinham recuperado cerca de 70% desse bairro, segundo o OSDH.

"Nossas forças se encontram a cerca de 100 metros da porta de Bagdá", afirmou o porta-voz das Forças de elite sírias (FES), Mohammad Khaled Chaker, em referência à entrada do centro histórico de Raqa.

As FES, um batalhão de combatentes árabes apoiados pelos Estados Unidos, não fazem parte das FDS, mas lutam contra os jihadistas por conta própria.

"Estamos rastreando a zona e destruímos os túneis para impedir qualquer nova infiltração em nossas posições", indicou Chaker à AFP.

À noite, onze civis, entre eles quatro mulheres e cinco crianças, morreram devido a bombardeios da coalizão no setor ocidental de Raqa, no bairro de Al Daraiya, segundo Rami Abdel Rahmane.

O balanço de civis mortos após a série de bombardeios da coalizão chega a mais de 200 segundo a OSDH, desde a entrada das FDS em Raqa em 6 de junho.

Segundo essa fonte, "dezenas" de combatentes das FDS morreram em Raqa durante o mesmo período, 36 deles na semana passada.

De acordo com a coalizão internacional que apoia as forças antiextremistas, há 2.500 combatentes do EI em Raqa.

Tomada pelos extremistas em 2014, Raqa se transformou em símbolo das atrocidades cometidas pelo EI, além de se tornar base para o planejamento de atentados contra os países estrangeiros.

Segundo a ONU, mais de 100 mil civis permanecem presos em Raqa.

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