Itália pede a portos europeus acesso a embarcações de migrantes

Roma, 2 Jul 2017 (AFP) - O ministro italiano do Interior, Marco Minniti, pediu aos países europeus, neste domingo (2), que abram seus portos às embarcações que socorrem os migrantes para reduzir a carga sobre Roma, pouco antes de uma reunião em Paris com seus colegas da França e da Alemanha.

Os três ministros se reúnem hoje à tarde para buscar uma "abordagem coordenada" que ajude a Itália a lidar com o fluxo de migrantes aos seus portos, relatou uma fonte próxima à negociação.

De acordo com o ministro Minniti, em entrevista ao jornal "Il Messaggero", a Itália sofre "uma enorme pressão".

A Itália chegou a ameaçar bloquear a entrada a seus portos dos navios estrangeiros que transportam migrantes resgatados no mar Mediterrâneo.

As barcos que resgatam migrantes "têm bandeiras de diferentes países europeus", ressaltou o ministro, explicando que dessas ações de resgate participam embarcações de ONGs, da operação naval europeia contra traficantes "Sophie" e da agência fronteiriça europeia Frontex, além da Guarda Costeira italiana.

"Se os únicos portos para onde se leva os refugiados são os portos italianos, tem algo que não está funcionando. Esse é o ponto da questão", afirmou.

"Sou um eurófilo e ficaria feliz se um único barco, em vez de chegar à Itália, fosse para outro porto. Isso não resolveria o problema da Itália, mas seria um sinal extraordinário, que mostraria que a Europa quer ajudar a Itália, insistiu o ministro.

Roma reclama que foi deixada sozinha para administrar a crise migratória e pede mais ajuda dos sócios europeus. Desde o início do ano, o país registrou mais de 83.000 chegadas de migrantes, um aumento de mais de 19% em relação ao mesmo período de 2016. A maioria procede da Líbia.

Depois, os migrantes são transportados para portos italianos, onde são distribuídos em centros de acolhida já saturados.

- Seleção de migrantes na Líbia?Minitti se reúne esta tarde com os ministros do Interior francês, Gérard Collomb, e alemão, Thomas de Maizière, assim como com o comissário europeu de Migração, Dimitris Avramopoulos.

"A ideia é ter uma abordagem coordenada e concertada sobre os fluxos migratórios no Mediterrâneo central" e "ver como se pode ajudar melhor os italianos", às vésperas de um encontro informal de ministros do Interior da União Europeia (UE), que acontece em 6 de julho em Tallin, disse uma fonte francesa à AFP na sexta-feira.

Na quinta (29), em Berlim, tanto a chanceler alemã, Angela Merkel, quanto o presidente francês, Emmanuel Macron, garantiram estar dispostos a apoiar mais a Itália.

O ministro italiano indicou que Roma tentará deslocar para a Líbia o processo de pedido de asilo.

"Devemos diferenciar entre os [...] que têm o direito a uma proteção humanitária e os que não", frisou.

"E temos de nos assegurar de que os primeiros possam partir para a Europa, enquanto os migrantes econômicos devem ser repatriados de modo voluntário", completou.

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