Catar rejeita implicitamente as exigências de seus vizinhos do Golfo

Doha, 3 Jul 2017 (AFP) - O Catar, isolado por seu suposto apoio ao "terrorismo" e sua aproximação do Irã, grande rival na região da Arábia Saudita, rejeitou de forma implícita uma lista de exigências de seus adversários árabes, ao considerar que atentam contra sua soberania nacional.

A lista, que pede entre outras coisas o fechamento do canal de televisão Al Jazeera, a redução das relações com Teerã e o fechamento de uma base militar turca, foi enviada em 22 de junho a Doha, que tinha um prazo de 10 dias, até domingo à noite, para dar uma resposta.

A Arábia Saudita e seus aliados anunciaram na madrugada de segunda-feira que a pedido do Kuwait, que atua como mediador na crise do Golfo, decidiram prorrogar por 48 horas o ultimato estabelecido para que o Catar responda à lista de 13 solicitações.

O presidente americano Donald Trump, que já criticou o Catar, reiterou no domingo "a importância de deter o financiamento do terrorismo", objetivo que considera "primordial", e de "desacreditar a ideologia extremista", após conversas por telefone em separado com o rei da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro dos Emirados e com o emir do Catar, segundo um comunicado da Casa Branca.

"A lista de pedidos foi feita para ser rejeitada", declarou o ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohamed ben Abderrahman al Thani, no sábado em Roma.

Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Egito romperam em 5 de junho suas relações diplomáticas com o Catar, acusando o país de apoiar "o terrorismo" e de se aproximar do Irã, rival de Riad.

Doha nega essas acusações e afirma que ninguém tem direito a ditar sua política exterior.

"Todo mundo é consciente de que esses pedidos aspiram a usurpar a soberania do Estado do Catar", afirmou Al Thani na capital italiana.

Na disputa iniciada no mês passado, os rivais do país desejam que Doha acate o consenso regional sobre questões delicadas como o apoio aos islamitas e as relações com o Irã.

O pequeno emirado, rico em gás e com grandes ambições, sempre foi independente em sua política externa, apesar de integrar o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

De acordo com um comunicado conjunto publicado pela agência oficial saudita Spa, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito aceitaram estender o ultimato depois de que o Catar anunciou que entregará sua resposta na segunda-feira ao emir do Kuwait.

O Kuwait tentou uma mediação, infrutífera até o momento, e outros países como Estados Unidos, Turquia, França e Rússia também se ofereceram para interceder entre Doha e seus adversários, sem resultados aparentes.

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