Presidente francês promete 'mudanças profundas' no país

Paris, 3 Jul 2017 (AFP) - O presidente francês Emmanuel Macron prometeu nesta segunda-feira uma "mudança profunda", com reformas incluindo uma redução em um terço do número de parlamentares, em um discurso solene diante do Parlamento reunido em Congresso no castelo de Versailles.

"O que devemos cumprir é uma verdadeira revolução", lançou o chefe de Estado diante dos deputados e senadores.

Reforma das instituições, medidas reforçadas para a luta contra o terrorismo, reforma da aposentadoria, pacto de descentralização, despertar do sonho europeu... sua longa intervenção permitiu revisar as grandes orientações do seu mandato, na véspera do discurso de política geral de seu primeiro-ministro.

Macron propôs reduzir em um terço o número de senadores e deputados (348 e 577 respectivamente atualmente). Também pretende mudar a eleição do Parlamento, introduzindo "uma dose de proporcionalidade" para que "todos os espectros políticos sejam representados de forma justa".

"Um Parlamento menos numeroso, mas reforçado em seus meio (...) é um Parlamento que trabalha melhor", afirmou, defendendo "ação" e "eficácia" em todos os níveis do poder.

Eleito em 7 de maio no segundo turno frente à candidata da extrema-direita Marine Le Pen e vitorioso nas legislativas, este centrista pró-europeu quer "convencer todos aqueles que confiaram e aqueles que a raiva e o desgosto diante da ineficiência dos líderes políticos os levaram a caminhos extremos".

Diante do "ceticismo crescente" em relação à Europa, ele deseja "recuperar os ideais europeus fundadores". "A década que acaba de terminar foi para a Europa cruel. Gerenciamos crises, mas perdemos o rumo", lamentou.

Algumas cadeiras no imponente castelo ficaram vazias. Os deputados do partido França Insubmissa (esquerda radical) e do Partido Comunista boicotaram o convite, denunciando uma prática "monarquista" do poder.

- 'Prestação de contas' -Emmanuel Macron foi o terceiro presidente francês a se expressar diante dos parlamentares em Versailles. François Hollande (esquerda) pronunciou no local um discurso solene três dias após os atentados de 13 de novembro de 2015, após Nicolas Sarkozy (direita) em junho de 2009.

O novo chefe de Estado pretende fazer deste pronunciamento um ritual anual, abandonando a tradicional entrevista televisionada de 14 de julho, feriado nacional que comemora a Queda da Bastilha.

"Todos os anos vou me apresentar a vocês para prestar contas", declarou, após criticar os veículos de comunicação, pedindo que parassem "de procurar de forma incessante por escândalos".

Após uma campanha presidencial marcada por polêmicas, quatro ministros de sua primeira formação governamental renunciaram após a abertura de processos judiciais.

Na terça-feira, caberá ao primeiro-ministro Edouard Philippe revelar diante da Assembleia Nacional o roteiro a ser adotado pelo governo, sob forte pressão orçamentária.

Na ausência de economias "sem precedentes", é esperado que o déficit francês atinja 3,2% do PIB em 2017, advertiu na quinta-feira o Tribunal de Contas.

"Nosso equilíbrio financeiro está deteriorado, a nossa dívida é considerável. O investimento produtivo é baixo. O desemprego atingiu níveis insuportáveis. A pobreza aumenta", admitiu Macron, prometendo não desistir.

Finalmente, o presidente confirmou que o estado de emergência na França, em vigor desde os ataques de 2015, será levantado no outono (europeu).

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