Autoridades reforçam a segurança em Jerusalém após ataque a policiais

Jerusalém, 15 Jul 2017 (AFP) - As forças de segurança fecharam partes da cidade antiga de Jerusalém neste sábado, um dia depois do ataque que matou dois policiais e avivou as tensões entre israelenses e palestinos.

Em função do ataque, as autoridades israelenses tomaram a decisão excepcional de fechar a Mesquita de Al Aqsa, situada na esplanada onde a polícia abateu os agressos, medida que provocou irritação junto a muçulmanos e jordanianos que dirigem o lugar.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, indicou que a esplanada, também conhecida como Monte do Templo para os israelenses, permanecerá fechada até ao menos domingo por motivos de segurança.

Netanyahu rejeitou as críticas de Amã sobre o fechamento. "Invés de denunciar o ataque terrorista, a Jordânia decidiu atacar Israel. Seria apropriado que todas as partes envolvidas, incluindo a Jordânia, dessem mostras de moderação e evitassem incendiar o ambiente", declarou.

Jordânia e a Autoridade Palestina na Cisjordânia pediram a reabertura imediata da Esplanada.

Em Amã, centenas de pessoas participaram em uma manifestação convocada pela Irmandade Muçulmana para pedir a a liberação da mesquita.

Abdel Azim Salhab, diretor do Conselho de Waqf, organismo que se encarga de gerenciar os bens muçulmanos, declarou, por sua parte, que o fechamento da Esplanada é "a pior agressão desde 1967", em referência ao ano em que Israel iniciou sua ocupação em Jerusalém Oriental.

Segundo a imprensa israelense, foi a primeira vez desde 2000, quando teve início a Segunda Intifada, que as orações de sexta-feira foram canceladas.

As autoridades instalaram neste sábado barreiras para impedir que os carros e os pedestres se aproximem da Porta de Damasco, a principal via de acesso dos palestinos à cidade velha. Só os residentes da zona com documentos de identidade podem ingressar.

Na véspera, três homens abriram fogo na Cidade Velha de Jerusalém, matando dois policiais israelenses, e depois foram abatidos por agentes na Esplanada das Mesquitas, no incidente mais grave registrado nos últimos anos nessa área extremamente sensível.

Dois policiais feridos no incidente faleceram pouco depois do ataque, enquanto um terceiro agente se recuperava de ferimentos leves, segundo a Polícia.

Os dois agentes mortos, Hail Satawi, de 30 anos, e Kamil Shanan, de 22, faziam parte da minoria árabe drusa de Israel, muito presente na Polícia e no Exército israelenses.

De acordo com a Polícia e com o Shin Bet, o serviço de Inteligência interna de Israel, os três agressores eram árabe-israelenses, oriundos da cidade de Um el-Fahm (norte).

Poucas horas após o ataque, a polícia israelense deteve brevemente o mufti de Jerusalém, Mohammed Hussein, que estava reunido com outros palestinos na Cidade Velha para denunciar o fechamento da Esplanada das Mesquitas.

Além disso, um palestino foi morto em confrontos com as forças israelenses em um campo de refugiados perto da cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, segundo o Ministério palestino da Saúde, que identificou a vítima como Bara Hamamdah, de 18 anos.

Este foi o primeiro ataque com arma de fogo em muitos anos na parte antiga da cidade, segundo comentaristas. Os últimos 20 meses têm sido marcados, porém, por uma série de ataques com facas.

Al-Aqsa está localizada na Esplanada das Mesquitas e é o terceiro lugar mais sagrado do Islã. Logo abaixo, o Muro das Lamentações, conhecido como Monte do Templo pelos judeus, é o local mais sagrado do Judaísmo.

Desde outubro de 2015, Israel e os Territórios Palestinos vivem uma onda de violência, que já matou 280 palestinos, 42 israelenses, dois americanos, dois jordanianos, um eritreu, um sudanês e uma britânica, segundo uma contagem da AFP.

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