Macron e Netanyahu afirmam proximidade de França e Israel

Em Paris

  • Stephane Mahe/AFP

    Presidente francês Emmanuel Macron (à dir.) e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se cumprimentam antes de entrevista a jornalistas no Palácio Elysee, em Paris

    Presidente francês Emmanuel Macron (à dir.) e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se cumprimentam antes de entrevista a jornalistas no Palácio Elysee, em Paris

O presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu recordaram neste domingo (16) a chamada "rafle du Vel' d'Hiv'" (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de judeus sob as ordens do governo colaboracionista francês em julho de 1942, antes de uma reunião.

Esta é a primeira vez que um premiê israelense participa da cerimônia que relembra um dos episódios mais obscuros da história francesa, e é a ocasião para os dois líderes discutirem temas sensíveis, como conflito entre Israel e os palestinos.

Em francês, Netanyahu agradeceu o convite de Macron como um "gesto muito, muito forte", que "testemunha a amizade antiga e profunda entre a França e Israel".

Por sua vez, Macron ressaltou sua intenção de "perpetuar o gesto feito em 1995 por Jacques Chirac", primeiro presidente a reconhecer a responsabilidade da França neste evento.

O presidente afirmou que "foi a França que organizou a rafle" e que o regime de Vichy, "apesar de não representar todos os franceses, era o governo da França" naquele momento.

Nos dias 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 judeus foram detidos em Paris e seus subúrbios por 9.000 policiais e gendarmes franceses destacados para a operação. Detidos em condições desumanas durante quatro dias, foram colocados no Velódromo de inverno (demolido em 1959), antes de serem levados aos campos de Loiret. Lá, 3.000 crianças foram brutalmente separadas de seus pais, deportados para Auschwitz.

Menos de 100 pessoas - e nenhuma criança - sobreviveram.

Emmanuel Macron recordou na cerimônia a importância do combate ao antissemitismo e afirmou: "não vamos ceder ao antissionismo", que é a forma "de reinventar o antissemitismo".

A vinda do chefe de governo israelense provocou críticas, com alguns denunciando uma "instrumentalização dos judeus franceses".

'Animal político'

Após a cerimônia do Vel d'Hiv', os dois líderes se reuniram por mais de uma hora no Palácio do Eliseu.

O presidente francês pediu, após o encontro, a retomada das negociações entre israelenses e palestinos em vista de uma "solução de dois Estados".

"A França está pronta para apoiar todos os esforços diplomáticos neste sentido", acrescentou o chefe de Estado, para quem Israel e palestinos devem poder "viver lado a lado em fronteiras seguras e reconhecidas, com Jerusalém como a capital".

Ele também mencionou e criticou implicitamente a colonização israelense nos territórios palestinos, evocando o respeito ao "direito internacional".

Emmanuel Macron recebeu recentemente o presidente palestino Mahmud Abbas, ao qual reiterou seu apoio à solução de dois Estados e condenou a construção de assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados.

As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas desde o fracasso da mediação dos Estados Unidos na primavera de 2014. E a ameaça de uma conflagração do conflito paira permanentemente.

Sobre o Irã, Macron prometeu "vigilância" sobre o respeito do acordo nuclear de 2015. E compartilhou "as preocupações israelenses sobre o armamento do Hezbollah", o movimento xiita libanês apoiado por Teerã.

Netanyahu elogiou a "determinação" de seu anfitrião para combater o antissemitismo, e disse estar convencido de que a França "tem um potencial enorme".

"Netanyahu é um animal político e quer garantir que a França não vai intervir ainda mais", analisa Jean-Paul Chagnollaud, especialista na questão palestina, que recorda que Nicolas Sarkozy e François Hollande "esperavam manter boas relações com Netanyahu e rapidamente se desiludiram".

Outro ponto sensível, o Irã, inimigo de Israel na região, que efetuou em junho o seu primeiro tiro de míssil em território estrangeiro contra alvos do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria.

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