Trump quebra promessa eleitoral e mantém acordo com Irã

  • Carlos Barria/Reuters

Donald Trump se afastou nesta terça-feira da promessa de campanha de suspender o acordo de restrição nuclear com o Irã, ao anunciar que manterá o tratado e o alívio das sanções previsto no pacto, ao menos por hora.

Sob os termos do acordo, firmado há dois anos, Teerã reduziu a produção de material nuclear em troca da suspensão de diversas sanções econômicas.

O governo de Trump enfrentou nesta segunda-feira um novo prazo imposto pelo Congresso para informar se o Irã deteve seu programa de armas nucleares.

"As condições", segundo um funcionário da Casa Branca, "foram cumpridas, com base em informação de que dispõe dos Estados Unidos".

Mas o funcionário, que não foi identificado, sugeriu que novas sanções não nucleares estão em estudo. O acordo de 2015 repousa sobre uma série de pontos técnicos e foi visto em Washington como uma forma de evitar uma ação militar para impedir que o Irã obtivesse a arma nuclear.

Mas o pacto não aliviou as tensões entre Teerã e Washington, que continuam em lados opostos em conflitos no Oriente Médio como na Síria e no Iêmen.

Durante a campanha eleitoral, Trump denunciou o acordo nuclear com Teerã, alcançado durante a administração de seu antecessor, Barack Obama, e prometeu renegociá-lo sendo mais duro com o Irã.

Desde que assumiu o governo, Trump já declarou - em duas ocasiões - que o Irã cumpre com o tratado, observando efetivamente o que foi acertado.

Mas a Casa Branca tem se esforçado para deixar claro que não será branda com o Irã, sugerindo novas sanções contra Teerã não relacionadas à questão nuclear e prometendo uma aplicação mais estrita do acordo.

"Esperamos implementar novas sanções relacionadas ao programa de mísseis balísticos e de embarcações rápidas" do Irã.

"O Irã permanece como uma das ameaças mais perigosas para os interesses dos Estados Unidos e para a estabilidade regional".

Entre as principais preocupações do governo figuram a melhoria das capacidades de mísseis do Irã, o apoio ao governo sírio, os abusos contra os direitos humanos e a detenção de americanos.

"O presidente e o secretário de Estado julgam que estas atividades iranianas minam gravemente a intenção (do acordo), que era contribuir para a paz e a segurança regional e internacional", declarou um funcionário.

"Como resultado, o presidente, o secretário de Estado e toda a administração avaliam que, indiscutivelmente, o Irã está em falta com o espírito" do acordo.

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