Medidas antitabaco quadruplicaram em 10 anos, diz OMS

Washington, 20 Jul 2017 (AFP) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, nesta quarta-feira, que as medidas contra o tabaco quadruplicaram nos últimos 10 anos, apesar do cigarro ainda provocar sete milhões de mortes por ano.

Vários países adotaram medidas para convencer os cidadãos a não fumarem, como advertências nos maços, proibições de propaganda ou com instalação de áreas de fumantes, informou o relatório da OMS sobre a epidemia mundial de tabagismo, apresentado em Nova York.

Atualmente, quase 4,7 bilhões de pessoas se beneficiam de pelo menos uma medida antitabaco. O número é quatro vezes maior do que em 2007.

"As estratégias para colocar essas medidas em funcionamento salvaram milhões de pessoas de uma morte precoce", indicou a OMS, que em 2008 lançou o programa MPOWER. O objetivo era favorecer as ações dos governos contra o tabaco.

O MPOWER foi lançado no marco de uma convenção da OMS, que tem por objetivo frear a epidemia agravada pela globalização. Seis estratégias são utilizadas para dissuadir o consumo de tabaco.

Tratam-se do controle de consumo e políticas de prevenção, proteção do público contra a fumaça, ajudas para fumantes abandonarem o hábito, advertências sobre os perigos do tabaco, respeito da proibição de publicidade e aumento dos impostos.

- Uma em cada dez mortes -"Os governos do mundo não deveriam demorar para incorporar todas as recomendações da convenção da OMS em seus programas nacionais", insistiu o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, diante das Nações Unidas (ONU).

"Também devem reprimir o mercado ilícito dos produtos derivados do tabaco, que aumentam a epidemia mundial de tabagismo e suas consequências na saúde e socioeconômicas", avaliou.

"Trabalhando juntos, os países podem evitar milhões de mortes e economizar milhões de dólares por ano em cuidados médicos", acrescentou Adhanom.

O último relatório da OMS, financiado pela Bloomberg Philanthropies, que reúne diversas atividades filantrópicas do milionário e ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg, se concentra no controle do tabaco e em políticas de prevenção.

"Uma em cada dez mortes no mundo é provocada pelo tabaco. Mas podemos mudar isso com o programa MPOWER, que demonstrou ser altamente eficaz", indicou Bloomberg, embaixador da OMS para doenças não contagiosas.

- Combater táticas da indústria -Os autores constataram que um terço dos países já colocaram em prática as recomendações para controlar o consumo.

Mas apesar do grande avanço em comparação a 2007, os governos avaliaram que ainda há muito a ser feito, como oferecer mais recursos e tornar a questão prioridade nacional, segundo a OMS.

A organização também destacou a importância de controlar e combater sistematicamente as táticas da indústria do tabaco.

Reduzir o consumo de tabaco é parte essencial do Programa de Desenvolvimento Sustentável 2030, estabelecido pela ONU em 2015.

Um dos objetivos principais é reduzir o número de mortes prematuras causadas por doenças não contagiosas - patologias cardiovasculares, pulmonares, câncer e diabetes - em um terço. Em todas estas, o tabagismo desempenha um papel importante.

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