Marcha em Caracas em apoio à Suprema Corte paralela é bloqueada

Caracas, 22 Jul 2017 (AFP) - Militares bloquearam neste sábado com bombas de gás lacrimogêneo uma marcha que se dirigia ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), em Caracas, em apoio aos 33 magistrados juramentados pelo Parlamento pela ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro e a sua convocação a uma Assembleia Constituinte.

O Legislativo nomeou na sexta-feira um TSJ paralelo alegando que os juízes da corte suprema foram designados ilegalmente pela anterior maioria chavista no Parlamento e que servem ao governo socialista.

"Apoiamos os novos magistrados porque devolverão a independência ao TSJ, que agora só cumpre as ordens de Maduro", disse à AFP Luis Torrealba, manifestante de 43 anos, acompanhado por sua esposa e seu filho adolescente.

Entretanto, a Sala Constitucional do tribunal advertiu na sexta-feira que a juramentação destes juízes configura os crimes de "usurpação de funções" e "traição à pátria", ambos punidos com prisão.

A corte também destacou que o Parlamento continua em desacato e, por isso, considera nulas todas as suas decisões.

Quando tomou a avenida Francisco Fajardo com a intenção de se dirigir ao centro da capital, a mobilização de centenas de opositores foi dispersada por militares da Guarda Nacional que dispararam bombas de gás lacrimogêneo de motocicletas.

"A Assembleia Nacional cumpriu [...]. Agora todos vamos apoiar com força nas ruas o novo TSJ", tuitou Freddy Guevara, vice-presidente do Congresso, um chamado a participar das marchas convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) em Caracas e outras cidades do país.

A MUD planeja impedir as eleições da Constituinte, previstas para o próximo domingo (30), que denuncia como "uma fraude" que tornaria a Venezuela "outra Cuba".

Entre quinta e sexta-feira, a oposição fez uma greve geral de 24 horas que definiu como "a hora zero" de uma escalada de protestos para exigir que Maduro desista do projeto, após quatro meses de protestos que deixaram 103 mortos.

O presidente ratificou que seguirá em frente com a Constituinte e avisou que essa iniciativa colocará "ordem".

A MUD sustenta que impedir a Constituinte é uma ordem, após um plebiscito simbólico realizado no domingo passado em que, assegura, 7,6 milhões de venezuelanos participaram.

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