Israel retira detectores e câmeras mas persiste tensão em Jerusalém

Jerusalém, 26 Jul 2017 (AFP) - O clima entre Israel e os fiéis muçulmanos continuava tenso nesta quarta-feira nos arredores da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, apesar da retirada dos polêmicos equipamentos de segurança.

Na noite de terça-feira, houve confrontos entre manifestantes palestinos e as forças de segurança israelenses perto da Cidade Velha de Jerusalém, onde fica a Esplanada das Mesquitas.

Segundo o Crescente Vermelho palestino, os enfrentamentos deixaram 13 palestinos feridos.

Os fiéis muçulmanos se negaram a entrar na Esplanda e nesta quarta-feira, assim como nos dias anteriores, rezaram nas ruas próximas, constatou um jornalista da AFP no local.

As autoridades israelenses finalmente retiraram, na quarta-feira, os detectores de metal que instalaram nos acessos à Esplanada das Mesquitas em 16 de julho.

Na madruga desta quinta-feira, suportes para a colocação de câmeras montados nos acessos da Esplanada também foram retirados, constatou a AFP.

Após uma intensa mobilização diplomática internacional, Israel aceitou retirar os detectores, embora tenha dito que os substituiria "por uma inspeção de segurança baseada em tecnologias avançadas e outros meios". Diante disso, as autoridades muçulmanas mantiveram a indicação de boicote ao local.

- Câmeras de vigilância -"Rechaçamos os detectores de metal, rechaçamos as câmeras", declarou Um Maath, uma árabe-israelense procedente de Nazaré, no norte de Israel, afirmando que cerca de 50 mulheres da cidade e de seus arredores iam todos os dias rezar perto da Esplanada em ônibus fretados.

"Tudo tem que ser como antes de 14 de julho", acrescentou.

Segundo o jornal israelense Haaretz, que cita fontes policiais, trata-se de uma sofisticada rede de câmeras de segurança baseada em uma tecnologia de reconhecimento biométrico.

Para identificar possíveis suspeitos, o sistema usaria uma base de dados procedente da polícia e de Ministérios, afirmou o jornal.

Mas o presidente palestino, Mahmud Abbas, exigiu na terça-feira a volta à situação anterior a 14 de julho para o retorno da cooperação com Israel.

- Al-Jazeera na mira -Em outro sinal de tensão, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que quer expulsar de Israel a emissora catariana Al-Jazeera.

"A emissora Al-Jazeera continua incitando à violência", indicou no Facebook Netanyahu sobre as tensões surgidas nos últimos dias na Esplanada.

"Apelei várias vezes às agências de aplicação da lei para fechar o escritório da Al-Jazeera em Jerusalém. Se isso não for possível por questões legais, então vou procurar que adotem a legislação necessária para expulsar a Al-Jazeera de Israel".

- Reação de EUA e Turquia -O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comemorou a decisão de Israel de retirar os detectores, mas julgou que "não é o suficiente".

Israel reagiu afirmando em comunicado do Ministério das Relações Exteriores que "a única democracia real na região" não tem que "receber lições de moral" do governo turco, que "invadiu o norte do Chipre, reprime brutalmente a minoria curda e prende jornalistas".

"Os dias do Império Otomano acabaram", acrescentou.

Uma porta-voz da polícia israelense afirmou na terça-feira que "não utiliza nenhum tipo de câmera que atente contra a vida particular e não tem nenhuma intenção de usar no futuro".

A Casa Branca saudou na terça-feira a decisão de retirar os detectores de metal, aplaudindo "os esforços de Israel para manter a segurança e reduzir as tensões na região".

jod-dms/iw/sgf.

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