Escândalo provoca renúncia da ministra da Defesa do Japão

Tóquio, 28 Jul 2017 (AFP) - A ministra japonesa da Defesa, Tomomi Inada, uma nacionalista ligada ao primeiro-ministro, Shinzo Abe, anunciou sua renúncia nesta sexta-feira, em meio a um escândalo sobre o manejo indevido de informação militar.

"Decidi renunciar ao cargo de ministra da Defesa", disse Inada à imprensa. "Apresentei minha renúncia ao primeiro-ministro e foi aceita".

A ministra disse "assumir sua responsabilidade" após a divulgação de um relatório segundo o qual comandantes militares omitiram informações sobre a situação de soldados japoneses estacionados no Sudão em missão de paz da ONU.

Os documentos, que revelavam más condições de segurança para os militares japoneses na missão, não foram divulgados, como determinam as normas das forças de autodefesa.

"As conclusões da investigação interna são muito severas", admitiu Inada, destacando que jamais foi informada sobre a situação ou deu seu aval à ocultação destas informações.

Segundo fontes militares, a ministra da Defesa tinha consciência do que ocorria.

A renúncia acontece a menos de uma semana de uma provável mudança do gabinete de Abe, diante da queda da popularidade do premier, em parte pelo caso Inada.

O escândalo ocupou as manchetes dos jornais japoneses nas últimas semanas, especialmente porque Inada convocou os eleitores a apoiar o conservador Partido Liberal Democrata (PLD) na renovação da Assembleia "em nome das forças de autodefesa e como ministra da Defesa".

Abe teve que se desculpar pelas palavras "impróprias" de Inada, mas a ministra, uma nacionalista convicta, se recusava a entregar o cargo.

Mas as conclusões da investigação sobre a missão no Sudão do Sul e a renúncia de dois comandantes precipitaram a saída de Inada.

"Há um sério problema de governança", admitiu Inada, 58 anos, que estava no cargo a menos de um ano.

Abe entregou o cargo de ministro da Defesa, de forma interina, ao chanceler Fumio Kishida.

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