Oposição desafia Maduro e convoca população a ocupar ruas

Caracas, 29 Jul 2017 (AFP) - A oposição venezuelana convocou nesta sexta-feira seus seguidores a ocupar as principais ruas do país no próximo domingo, quando serão eleitos os membros da Assembleia Constituinte, desafiando a proibição de protestos decretada pelo governo do presidente Nicolás Maduro.

"Que o povo que deseja a democracia saia às ruas no domingo e ocupe todas as artérias do país", disse o líder opositor Henrique Capriles em entrevista da Mesa da Unidade Democrática (MUD).

"Maduro, você colocou a corda no pescoço, jogou sua última cartada...", advertiu Capriles.

Nesta sexta-feira, a presença de opositores nas ruas foi menor, após a proibição do governo aos protestos contra a Constituinte.

Após concluir pela manhã a greve geral de 48 horas, que deixou oito mortos, pequenos grupos bloqueavam as ruas da capital, sob uma persistente chuva.

Com o fim da greve, o tráfego passou a fluir com normalidade na capital, onde amplos setores permaneciam vazios desde quarta-feira. Muitas barricadas foram retiradas e o comércio voltou a abrir.

"É normal que haja medo, mas as pessoas continuam nas ruas, apesar de tudo. Eles decidiram prosseguir com esta loucura (Constituinte). A partir de segunda-feira, se há alguém em aperto, será o senhor Maduro", disse o deputado opositor Freddy Guevara.

Em meio à repressão, o prefeito de Iribarren, o opositor Alfredo Ramos, foi detido por não remover barricadas levantadas durante os protestos, como determinou o Tribunal Supremo de Justiça.

Será um confronto aberto, pois o governo proibiu as mobilizações que afetem a eleição dos 545 constituintes e ameaçou com prisão de cinco a 10 anos quem boicotar a ordem, medida rejeitada pela Anistia Internacional.

O número de mortos em quatro meses subiu para 113, depois que o Ministério Público confirmou a morte de um policial baleado na cabeça na quinta-feira.

Maduro denunciou nesta sexta que os Estados Unidos distorcem a realidade para fazer crer que a Venezuela está "à beira de uma guerra", depois de Washington ordenar que seus diplomatas tirem seus familiares do país.

"Estão criando a sensação de que estamos à beira de uma guerra e que a insurreição fascista que promovem está vencendo", disse o chanceler Samuel Moncada a convidados internacionais para a eleição, no domingo.

O departamento de Estado americano determinou na véspera a saída das famílias de seus diplomatas e autorizou a partida voluntária de seus funcionários na Venezuela, devido à crise política e à violência.

No mesmo sentido, o Canadá recomendou a seus cidadãos evitarem viajar à Venezuela, e disse para os que já estão no país saírem.

O governo mexicano pediu precaução a seus cidadãos com viagem marcada para a Venezuela.

A Air France anunciou a suspensão de seus voos entre Paris e Caracas entre 30 de julho e 1º de agosto, "devido à situação na Venezuela", recordando que "a segurança de seus clientes e de suas tripulações é sua prioridade".

- Alta tensão -A Constituinte aumentou a tensão em um país polarizado e mergulhado - apesar de sua riqueza petroleira - em uma profunda crise, com uma inflação absurda e grave escassez de alimentos e remédios.

Maduro, cuja gestão é rejeitada por 80% da população, segundo o Datanálisis, assegura que a Constituinte garantirá a paz e a recuperação econômica.

"Vamos jogar nossa cartada, a que vai ganhar este jogo, e esta cartada é a Assembleia Nacional Constituinte", disse Maduro, afirmando que ela trará paz e estabilidade econômica.

A MUD decidiu não participar da votação, alegando que a Constituinte convocada em referendo foi elaborado pelo governo para criar uma Carta Magna que instaurará uma ditadura no país.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, declarou que seu país não reconhecerá os resultados da Constituinte, "uma Assembleia que tem origem espúria e cujos resultados não poderão ser reconhecidos".

O líder da Eurocâmara, Antonio Tajani, afirmou que "as eleições do próximo domingo (...) supõem um novo golpe contra a democracia por parte do regime Maduro", e expressou sua solidariedade para com o Parlamento venezuelano, dominado pela oposição.

Diante do medo de caos e violência durante a votação, milhares de venezuelanos estão deixando o país em direção ao Brasil e à Colômbia.

A eleição de domingo combinará voto por região e setor social, e 62% dos 19,8 milhões de eleitores poderão votar duas vezes, o que dificulta o cálculo de participação, destaca o especialista eleitoral Eugenio Martínez.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) decidiu flexibilizar os requisitos de votação, permitindo aos eleitores votar em qualquer seção, outro complicador para a apuração.

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