Autor do ataque de Hamburgo era um islamita em vias de radicalização

Hamburgo, 29 Jul 2017 (AFP) - O homem que matou uma pessoa com uma faca e deixou vários feridos na sexta-feira (28), em Hamburgo, era um "islamita" em vias de radicalização, de acordo com as autoridades da Alemanha, mas suas motivações permanecem indeterminadas, já que também sofria transtornos psicológicos.

Enquanto os investigadores ainda buscam as razões precisas do que o prefeito de Hamburgo chamou de "atentado odioso", o debate sobre a recepção de imigrantes foi retomado na Alemanha: o agressor teve negado o estatuto de refugiado no país.

Na sexta-feira à tarde, o homem entrou em um supermercado em uma rua comercial da zona norte de Hamburgo, roubou uma faca de cozinha e avançou na direção de um homem de 50 anos, que foi esfaqueado até a morte.

Ainda dentro do mercado, ele feriu mais dois clientes, antes de atacar outras pessoas na rua.

O ataque terminou com um morto e seis feridos, alguns em estado grave.

"Era conhecido como islamita, mas não como jihadista, pelos serviços de segurança", afirmou o ministro do Interior de Hamburgo, Andy Grote.

Apresentado pelas autoridades como um palestino nascido nos Emirados Árabes Unidos, o agressor de 26 anos era considerado "um caso suspeito após elementos que demonstravam uma radicalização religiosa", especialmente na casa em que morava no norte da cidade.

- 'Mudança' -Recentemente, passou a usar roupas religiosas muçulmanas, recitava trechos do Alcorão em casa e havia "mudado", segundo as autoridades locais.

O ministro Andy Grote mencionou, na atual fase da investigação, "vínculos com motivações religiosas, islamitas", determinantes para passar à ação. Ele indicou ainda que o agressor sofria uma "instabilidade psicológica".

A situação continua "confusa, e não é possível saber ainda qual desses elementos foi o detonador", acrescentou o ministro Grote.

Apesar das dúvidas quanto à saúde mental do homem, a Justiça de Hamburgo decidiu neste sábado (29) mantê-lo detido, em vez de interná-lo em um hospital psiquiátrico.

Não foi identificado "nenhum elemento tangível" que permita atenuar sua responsabilidade, de acordo com a porta-voz da promotoria local, Nana Frombach.

O detido falou sobre o ocorrido, mas se negou a discutir as motivações por trás do seu ato, ressaltou em declarações à mídia alemã.

Agentes da polícia foram investigá-lo após receberem denúncias sobre sua radicalização, mas não detectaram um "perigo imediato" de que passaria à ação. O homem chegou à Alemanha em 2015 como demandante de asilo.

A polícia já determinou que ele agiu sozinho. "Não há elementos sobre a existência de uma rede", disse uma fonte.

- Pesadelo -"As compras de fim de semana de diversos cidadãos de Hamburgo se transformaram em um pesadelo", disse o ministro do Interior.

"Poderia ter sido qualquer um de nós", argumentou.

O agressor foi imobilizado pelas pessoas que estavam próximas ao local. A chanceler alemã, Angela Merkel, agradeceu pela "valentia dos cidadãos".

No cenário político, as dúvidas sobre a recepção de imigrantes voltam a ressurgir no país, que recebeu mais de um milhão de solicitantes de asilo desde 2015. A direita nacionalista acusa Merkel de ter permitido a entrada de potenciais extremistas na Alemanha.

O agressor de Hamburgo, que teve o pedido de asilo negado, não pôde ser expulso.

"Trata-se, ao que parece, de um estrangeiro em processo de saída, mas que não podia ser expulso porque não tinha documentos de identidade", explicou o prefeito de Hamburgo, Olaf Scholz.

A questão é delicada a pouco menos de dois meses das eleições legislativas de 24 de setembro, nas quais Merkel lutará por um quarto mandato.

Se a polícia confirmar que o ataque foi um atentado com motivações islamitas, a opinião pública inevitavelmente vinculará o caso ao atentado com um caminhão em uma feira de Natal de Berlim. No episódio, ocorrido em dezembro do ano passado, 12 pessoas morreram.

O ataque foi cometido pelo tunisiano Anis Amri, que estava em uma situação legal idêntica.

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