Afeganistão: cerca de 30 mortos em atentado contra xiitas

Herat, Afeganistão, 1 Ago 2017 (AFP) - Cerca de 30 pessoas morreram e 60 ficaram feridas nesta terça-feira em um atentado suicida dentro de uma mesquita xiita de Herat, oeste do Afeganistão, um dia após um ataque contra a embaixada do Iraque em Cabul, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Esta ação ainda não foi reivindicada. Há um ano, o EI atacou em várias ocasiões grupos e mesquitas xiitas, minoria no Afeganistão.

Os talibãs negaram toda a responsabilidade em sua conta do Twitter e em uma mensagem de WhatsApp enviada à AFP.

"O balanço chega a 29 mortos e 63 feridos, alguns deles em estado crítico", indicou à AFP o porta-voz do hospital regional, Rafiq Shirzai. "O balanço ainda pode aumentar", disse.

Um correspondente da AFP presente no local viu "muitos corpos" dentro da mesquita, o que faz temer que o balanço de vítimas seja muito maior. O jornalista disse que viu "partes dispersas de corpos, poças de sangue, pessoas gritando, chorando...", antes que a polícia ordenasse a sua saída.

Em várias fotos podia-se ver uma multidão amontoada no serviço de emergência do hospital à espera de notícias sobre parentes ou se oferecendo para doar sangue.

Enquanto isso, muitos outros se aglomeravam nas portas da mesquita, cujo interior parece ter ficado muito danificado.

De acordo com o porta-voz da polícia de Herat, Abdul Ahad Walizada, "participaram [do atentado] dois terroristas, um deles com um colete explosivo, que o detonou, enquanto o outro estava armado".

"Os dois morreram", indicou, sem detalhar como faleceu o segundo agressor.

"Por volta das 20H00 (12H30 de Brasília) ocorreu o ataque terrorista", explicou à AFP Walizada, que informou "que foram enviadas forças de segurança" ao bairro da mesquita.

"Uma explosão aconteceu na porta da mesquita Jawadya", anunciou à AFP o porta-voz do Ministério do Interior, Najib Danish.

O ataque aconteceu um dia depois de outro atentado realizado por quatro agressores contra a embaixada do Iraque em Cabul, que matou duas pessoas, membros da equipe afegã do complexo.

O órgão de propaganda do grupo extremista EI, Amaq, reivindicou a operação.

- "Compensar a derrota" -Este foi o primeiro ataque contra a embaixada do Iraque em Cabul, depois de vários atentados contra outras missões diplomáticas estrangeiras.

O governo afegão condenou em comunicado o atentado de Herat e chamou "os afegãos e os responsáveis religiosos a se rebelar, unidos, contra a barbárie dos terroristas".

"Os terroristas não podem semear o sectarismo entre nosso povo", acrescentou o presidente do país, Ashraf Ghani.

Estas ofensivas também ocorrem em um momento em que o EI retrocede no Iraque e na Síria.

O grupo sunita apareceu no leste do Afeganistão com o objetivo de fundar o "emirado de Khorasan", antigo nome da região, no início de 2015. Agora avança para o norte do país apesar dos ataques aéreos americanos contra suas posições.

Segundo um analista afegão com base em Cabul, "este ataque demonstrou que o EI é uma verdadeira ameaça no Afeganistão".

"Para compensar a sua derrota no Iraque, o EI e os seus partidários [...] realizaram o ataque contra a embaixada do Iraque: é fácil atacar objetivos fracos no Afeganistão", indicou nesta terça-feira Jawed Johistani, contactado pela AFP.

Segundo uma fonte de Segurança que não quis ser identificada, "o EI pode se tornar mais perigoso do que os talibãs no Afeganistão".

O grupo reivindicou violentos atentados no coração de Cabul no último ano. O primeiro deles, em 23 de julho de 2016, deixou 84 mortos e 300 feridos entre a minoria xiita afegã.

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