Brasil exige libertação imediata de opositores venezuelanos López e Ledezma

São Paulo, 1 Ago 2017 (AFP) - O Brasil pediu nesta terça-feira ao governo venezuelano de Nicolás Maduro que liberte imediatamente os opositores Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, mas foram detidos novamente durante a madrugada.

O governo brasileiro afirmou, em um comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, que repudia a detenção dos dois principais opositores ao governo e que considera que isso se trata de "uma demonstração a mais da falta de respeito às liberdades individuais e ao devido processo legal, pilares essenciais de um regime democrático".

Em consequência, "o Brasil pede ao governo venezuelano que liberte imediatamente López e Ledezma", segundo o texto.

O Brasil denunciou ainda a medida executada "um dia depois de uma votação para eleger uma Assembleia Constituinte em franca violação da ordem constitucional venezuelana".

Os dois presos mais emblemáticos da oposição venezuelana, Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram detidos na madrugada desta terça-feira após seus apelos contra a Assembleia Constituinte do presidente Nicolás Maduro, que será instalada na quarta-feira para administrar o país por tempo indefinido.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, considerou que a votação da Assembleia foi "desenhada para impor a escolha de prepostos do regime", em um artigo de sua autoria publicado nesta terça no jornal A Folha de S.Paulo.

"Causa indignação o custo do autoritarismo em vidas humanas (...). Os venezuelanos estão privados de liberdades públicas, da liberdade de imprensa, do devido processo legal, da tutela jurisdicional, da autonomia do organismo eleitoral e dos princípios basilares da independência e do controle recíproco dos Poderes", afirmou o chefe do Itamaraty.

Com o agravamento da crise na Venezuela, houve um aumento da chegada de venezuelanos ao território brasileiro.

Até junho, 7.600 venezuelanos solicitaram refúgio no país. A maioria do fluxo migratório se concentra na fronteira sul da Venezuela com o estado de Roraima.

A Polícia Federal na região foi reforçada para atender a essa demanda.

Centenas de indígenas da etnia warao, do norte da Venezuela, também entraram no Brasil, através dos estados de Roraima e Amazonas, obrigando as autoridades a organizar abrigos para refugiados, que, em sua maioria, estão acampados nas ruas.

O chanceler brasileiro recordou que os países do Mercosul convidaram a Venezuela a conversar em Brasília "sobre o restabelecimento da democracia".

Nunes acrescentou que "a realização dessas consultas definirá os passos seguintes da aplicação da cláusula democrática" do bloco, que também é formado por Argentina, Paraguai e Uruguai.

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