Congresso decide futuro de Temer

Brasília, 2 Ago 2017 (AFP) - Esta quarta-feira será decisiva para o futuro político do Brasil. A Câmara dos Deputados vai definir se a denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer será encaminhada para o Supremo Tribunal Federal (STF), ou arquivada.

O cenário é favorável para Temer, o primeiro presidente em exercício a ser acusado de um crime comum. A votação ocorrerá, porém, apenas se estiver completo o quórum de 342 deputados, equivalente a dois terços da Casa. A oposição já adiantou que vai tentar impedir a votação, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), garante que ela vai acontecer.

"Será votado e, com a votação, isso gera uma tranquilidade para a sociedade. Esse assunto será resolvido na parte da tarde", afirmou Maia à imprensa.

A oposição está correndo para reunir os 342 votos necessários para levar o caso ao STF. Temer precisa do apoio de 172 deputados e até as abstenções podem beneficiá-lo - desde que não impeçam o quórum. A expectativa do presidente é um resultado contundente o ajude a aprovar suas reformas econômicas.

- Recorde de impopularidade -O presidente registra um recorde de impopularidade - apenas 5% dos brasileiros aprovam seu governo, segundo a última pesquisa Ibope -, e 81% dos brasileiros querem que o Congresso autorize o STF a examinar as denúncias. Temer é acusado de ter recebido suborno do milionário Joesley Batista, por intermédio do ex-deputado Rodrigo Santos da Rocha Loures.

O presidente luta para continuar no cargo até o fim do mandato, em dezembro de 2018.

"Ninguém conhece melhor a temperatura da Câmara que o presidente [Maia]. O governo está muito certo da vitória. A denúncia é absurda e injusta. Ninguém está brincando, o assunto é muito sério, mas todo mundo está muito certo da vitória", disse um assessor do Palácio do Planalto à AFP.

Se o processo chegar ao STF e for levado a juízo, Temer será suspenso do cargo por 180 dias, tornando Maia presidente. Caso seja declarado culpado, Temer vai ser destituído, e o Congresso vai eleger seu sucessor para governar até o fim de 2018.

- Oposição -Os partidos de oposição reconhecem a dificuldade de alcançar os 342 deputados necessários.

"A oposição usará todo o tempo necessário para garantir a maioria", afirmou o deputado Henrique Fontana (PT) após uma reunião da liderança.

Eles também apostam em deserções da base, enfraquecida desde que Temer foi acusado de receber R$ 500 mil em suborno da JBS.

"Está crescendo o número de deputados dispostos a votar pelo afastamento de Temer. Já temos maioria, mas ainda não temos segurança dos 342 votos que precisamos. Por isso, seguiremos fazendo o mapeamento e avaliação até o momento da sessão", completou Fontana em nota divulgada por assessores de seu partido.

Apesar de ter grandes chances de a votação ser favorável, o futuro do governo Temer é nebuloso.

A oposição conta com outras novas denúncias que estão nas mãos do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot - uma por obstrução de justiça e outra por associação ilícita.

Em entrevista à AFP na terça-feira (1º), Janot foi lacônico, limitando-se a dizer que "as investigações avançam".

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