Grupo enviou mais de mil armas de Miami para criminosos no Rio

Rio de Janeiro, 2 Ago 2017 (AFP) - Dezesseis pessoas foram acusadas no Brasil pela introdução entre 2014 e 2017 de mais de mil armas procedentes de Miami e destinadas a "facções criminosas" do Rio de Janeiro, informou nesta quarta-feira o Ministério Público Federal (MPF).

A denúncia surgiu de investigações relacionadas à apreensão, em 1º de junho, de 60 armas (do tipo AK-47, G3 e AR-10) com 60 carregadores e 140 balas no terminal de cargas do Aeroporto Internacional do Galeão. Vieram escondidas em contêineres com aquecedores de piscina. Quatro pessoas foram detidas nesta operação.

"A estimativa é que, durante três anos, os denunciados introduziram no território brasileiro cerca de 297.000 munições e 1.043 fuzis com carregadores", detalhou a MPF em comunicado.

"As armas eram adquiridas por valores entre 2.500 a 3.500 dólares e vendidas por valores entre 37.500 e 53.000 reais", continuou.

"As investigações revelaram a existência da organização criminosa" dirigida por um cidadão com dupla nacionalidade - brasileira e americana-, por sua esposa e por um filho do casal.

"Eles adquiriam armamento em Miami, remetiam-no ao Brasil escondido em aquecedores de piscina e bombas d'água e o distribuíam a integrantes de facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro", assinalou.

As forças de segurança do Rio fracassaram em interromper o fluxo de entrada de potentes armas automáticas usadas por facções de traficantes e por milícias que controlam muitas comunidades.

Traficantes, policiais e inocentes são cotidianamente vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro, onde o crime disparou desde o fim dos Jogos Olímpicos de 2016.

Na sexta-feira passada, o governo federal enviou 8.500 soldados para tentar frear a onda de insegurança. As tropas farão, sobretudo, trabalhos de Inteligência e operações pontuais.

Os analistas assinalam a penetração em várias comunidades do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção baseada tradicionalmente em São Paulo, em detrimento do Comando Vermelho. As duas facções, e seus aliados, protagonizaram neste ano sangrentos ajustes de contas em prisões do país, por controle das rotas do tráfico de drogas.

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