Michel Temer, o sobrevivente

São Paulo, 3 Ago 2017 (AFP) - Michel Temer foi acusado de quase tudo: de planejar um golpe de Estado a receber milhões de dólares em subornos, mas nada parece ameaçar seu cargo de presidente, ao qual chegou inesperadamente no ano passado.

Sobrevivente de um governo marcado por escândalos, que terminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o atual mandatário superou com facilidade nesta quarta-feira a votação no Congresso que pretendia julgá-lo por corrupção passiva.

Temer, 76 anos, é um veterano no Legislativo e mais uma vez consegue sobreviver às armadilhas do poder em Brasília, superando a denúncia da Procuradoria Geral da República e o precedente processo no Tribunal Superior Eleitoral para cassá-lo na chapa com Dilma.

Discreto organizador nos bastidores, o presidente soube abandonar o barco de Dilma a tempo, reclamando de ser um "vice-presidente decorativo". Ele queria mais.

Três vezes presidente da Câmara e presidente do PMDB durante 15 anos, Temer conhece bem os corredores do Congresso e sabe como poucos os caminhos para angariar votos e cativar seus correligionários, algo que Dilma ignorava completamente e que precipitou sua queda.

Dilma o acusa de ter orquestrado um "golpe parlamentar" junto com Eduardo Cunha. Mas Temer segue de pé e impermeável às críticas daqueles que questionam sua legitimidade e a dureza de seus ajustes.

Pragmático e com o apoio dos mercados, sempre pensou que o sucesso de suas polêmicas reformas permitiria que ele passasse à posteridade como o presidente que tirou o Brasil da pior recessão de sua história, deixando em segundo plano seus ínfimos índices de popularidade.

Mas a melhora dos dados econômicos, incluindo o primeiro crescimento do PIB após oito trimestres de contração, não foi suficiente para melhorar sua imagem. Sua popularidade se encontra em 5%.

Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu em 1940 e cresceu no interior paulista. Ele é o caçula de oito irmãos de uma família de imigrantes libaneses católicos, chegados ao Brasil 15 anos antes.

Na capital econômica do país se tornou um advogado constitucionalista de prestígio e iniciou sua carreira política, que o levou a ser três vezes presidente da Câmara dos Deputados durante seus seis mandatos como legislador do PMDB, partido que presidiu durante 15 anos.

Sua chegada ao alto escalão também dirigiu os holofotes para sua terceira esposa, Marcela, mãe de seu quinto filho e 43 anos mais nova. A ex-participante de concursos de beleza, que tem um "Michel Temer" tatuado na nuca, teve um perfil polêmico traçado pela revista "Veja", que a apontou com uma primeira-dama perfeita: "Bela, recatada e do lar". A matéria não demorou a "viralizar" nas redes sociais.

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