Temer aguarda definição de destino em votação na Câmara dos Deputados

Brasília, 2 Ago 2017 (AFP) - A Câmara dos Deputados se apressa para votar nesta quarta-feira se autoriza o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar uma denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, que parece estar em condições de se sair bem desta situação.

A oposição tentou, sem resultado, bloquear a sessão privando-a do quórum necessário para começar, de dois terços ou 342 das 513 cadeiras. Às 16h30 havia 386 na sessão.

A Câmara deve determinar se a denúncia contra Temer, primeiro presidente denunciado formalmente de um crime de direito comum, será submetida à análise do STF ou se será descartada.

A votação, nominal, começará depois das intervenções dos líderes de cada bancada.

A denúncia por corrupção passiva foi feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, depois de divulgarem em meados de maio uma gravação e um vídeo.

Na gravação de uma conversa entre Temer e o dono da JBS Joesley Batista, o presidente parece dar o aval à entrega de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso, em troca de seu silêncio.

O vídeo mostra o então deputado Rodrigo Rocha Loures, homem de confiança de Temer, carregando uma mala com 500.000 reais. Segundo a delação de Joesley, o dinheiro era parte de uma propina oferecida a Temer para favorecer os negócios da empresa.

Janot também pode denunciar Temer por obstrução da Justiça e de organização criminosa.

O presidente e seus defensores afirmam que a acusação é uma ficção criada para prejudicá-lo e que ameaça a reconstrução do país.

Para dar prosseguimento à denúncia, a oposição deve reunir 342 votos.

Nessa hipótese, o processo seria encaminhado ao STF e se o tribunal decidisse levá-lo a julgamento, Temer seria suspenso de seu cargo por até 180 dias, deixando a Presidência nas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. No caso de ser considerado culpado, seria destituído e o Congresso deveria escolher o seu sucessor para governar até o fim de 2018.

- Tumultos -A sessão teve momentos de tumulto. Pela manhã, cerca de 30 legisladores de oposição entraram no hemiciclo com cartazes que pediam a saída do presidente.

Deputados de esquerda colocaram no chão uma mala com notas falsas com o rosto de Temer, simulando a que foi levada por Rocha Loures. Durante uma discussão acalorada, jogaram as notas, que caíram sobre a bancada do governo, informaram repórteres da AFP.

Houve um princípio de briga quando deputados da oposição arrancaram das mãos de partidários de Temer bonecos que representavam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário. Lula foi condenado recentemente a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva, mas apela da sentença em liberdade.

O domínio de Temer no Congresso contrasta com a sua popularidade, de apenas 5%, a pior desde o retorno à democracia, segundo uma pesquisa do Ibope. Cerca de 81% dos brasileiros apoiam que o presidente seja julgado, de acordo com o mesmo instituto.

Mas até agora as ruas não parecem se mobilizar, diferentemente do que ocorreu durante o impeachment de Dilma Rousseff, quando milhões de pessoas pediram a sua saída.

- Demonstração de força -Temer quer obter uma vitória folgada, como demonstração de força diante dos aliados que duvidam de sua capacidade de fazer avançar os ajustes reclamados pelos mercados, como a polêmica reforma da previdência.

Os analistas da consultora Eurasia Group preveem que a denúncia será rechaçada "por uma ampla margem [...] de 250 a 270 votos" e que o governo poderá, em consequência, "reiniciar as negociações sobre a reforma da previdência".

No meio da tarde, a Bolsa subia mais de 1%.

A oposição acusa Temer de ter liberado nas últimas semanas recursos para deputados indecisos.

Temer já perdeu seis assessores ministeriais atingidos pelo escândalo da Petrobras e tem outros oito sob investigação do STF.

Dezenas de legisladores de quase todos os partidos também estão sob o foco da Operação Lava Jato.

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PETROBRAS - PETROLEO BRASILEIRO

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