Irã acusa EUA de violação do acordo nuclear no início do segundo mandato de Rohani

Teerã, 3 Ago 2017 (AFP) - O Irã condenou nesta quinta-feira as novas sanções americanas, que chamou de violação do acordo sobre seu programa nuclear, no mesmo dia em que começa o segundo mandato do presidente Hassan Rohani, pressionado em seu país.

Durante uma cerimônia oficial, o guia supremo Ali Khamenei ratificou a eleição de Rohani em maio, uma etapa forma necessário para o início do segundo e último mandato do presidente moderado, que prestará juramento ante o Parlamento no sábado.

Apesar de sua eleição triunfal, Rohani é criticado no Irã, onde os conservadores o acusam de ter feito muitas concessões às grandes potências sem escutar as suas advertências sobre os Estados Unidos, grande inimigo da República Islâmica.

O acordo assinado em julho de 2015 entre o Irã e as grandes potências (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) limita o programa nuclear iraniano ao uso civil em troca da suspensão progressiva das sanções internacionais.

Ao contrário da administração americana anterior de Barack Obama, o governo de Donald Trump adotou uma atitude hostil a respeito do Irã e critica o acordo nuclear.

O Congresso americano aprovou novas sanções contra o Irã, que envolvem seu exército de elite, a Guarda Revolucionária, assim como o programa balístico de Teerã. a situação dos direitos humanos e o apoio de Teerã a grupos como o movimento xiita libanês Hezbollah, que Washington classifica como terrorista.

"Acreditamos que o acordo nuclear foi violado e, portanto, vamos reagir de forma apropriada", disse o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Abas Araghchi.

Irã e Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980.

"O objetivo principal da lei americana é assustar as grandes empresas e impedir que cooperem com o Irã. Mas comprovamos que a política dos países europeus vai contra isso", completou Araghchi.

No fim de junho, o Senado americano aprovou quase por unanimidade um projeto de lei que já havia sido votado na Câmara de Representantes para impor sanções contra Rússia, Irã e Coreia do Norte. O presidente Trump promulgou as medidas na quarta-feira.

A comissão iraniana que supervisiona a aplicação do acordo, integrada por Rohani e outras autoridades, "adotou 16 medidas que incluem uma série de reações contra a ação dos Estados Unidos", completou Araghchi, sem revelar mais detalhes.

"Depois da promulgação da lei de sanções contra o Irã por Trump entramos em uma nova etapa e o Parlamento vai adotar sua própria lei em reação à lei americana", disse Araghchi.

O Parlamento iraniano começou a analisar um projeto de lei para reforçar o programa balístico do país e a força Qods da Guarda Revolucionária para "lutar contra as sanções dos Estados Unidos".

- Mais forte que antes -Além dos ataques dos conservadores, Rohani também é criticado entre os reformistas por não ter concedido espaço suficiente a esta ala em seu governo, que apresentará no sábado ao Parlamento.

Também é criticado por não ter nomeado nenhuma mulher para o ministério.

Mas o presidente recebeu o apoio dos principais comandantes da Guarda Revolucionária, após uma troca de ataques nos últimos meses.

Durante a cerimônia de posse, Rohani afirmou que o país "nunca aceitará o isolamento".

"O acordo nuclear é o sinal da boa vontade do Irã a nível internacional para o entendimento com o resto do mundo", completou o presidente.

O aiatolá Khamenei, autoridade máxima no país, aconselhou a Rohani que "se ocupe dos problemas do povo", aproxime as relações com o mundo e "resista com força aos dominadores", especialmente "ao governo americano que é o mais agressivo e insolente".

"Hoje em dia, o Irã é mais forte que antes, apesar de todas as sanções e hostilidades", concluiu.

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