Austrália minimiza conversa com Trump vazada pela imprensa

Sydney, 4 Ago 2017 (AFP) - O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, tentou minimizar nesta sexta-feira (4) o vazamento de uma acalorada conversa com o presidente americano, Donald Trump, a respeito do acolhimento de refugiados.

Na quinta, o jornal The Washington Post publicou a transcrição de conversas telefônicas de Trump com seu colega mexicano, Enrique Peña Nieto, e com Malcolm Turnbull.

Na conversa entre Trump e Turnbull há seis meses, os dois discutiram um acordo assinado por Camberra com a administração de Barack Obama sobre a acolhida - por parte dos Estados Unidos - de refugiados mantidos pela Austrália em centros de internação no Pacífico.

O presidente americano expressou sua insatisfação com um acordo chamado por ele de "estúpido".

A transcrição também revelou contradições nas declarações públicas feitas pelo governo australiano sobre o acordo - em especial, que não se trata de receber, em troca, refugiados enviados pelos Estados Unidos.

"Vamos receber quem quisermos", disse Turnbull.

"As únicas pessoas que não aceitamos são aquelas que chegam de barco. Preferimos acolher uma espécie pouco atraente para ajudar ao invés de receber um Prêmio Nobel da Paz que chegue de barco", disse ele.

A Austrália aplica uma política muito restritiva em relação aos imigrantes, denunciada por ativistas de direitos humanos, mas que, de acordo com o Governo, permite salvar vidas.

Sua Marinha rejeita sistematicamente embarcações com imigrantes ilegais, e aqueles que conseguem chegar à sua costa são enviados para centros fora da Austrália - como o de Manus, na Papua Nova Guiné. Mesmo que seu pedido de asilo seja considerado legítimo, não são autorizados a se estabelecer no país.

Turnbull falou nesta sexta-feira de uma conversa "franca e educada" com Trump e defendeu seu conteúdo com as seguintes palavras: "nesse âmbito, nossa relação com os Estados Unidos é uma relação de assistência mútua. Assim, ajudamos os americanos, e eles nos ajudam".

O primeiro-ministro também tentou minimizar a sugestão feita a Trump para acolher um pequeno número de pessoas, apesar de o acordo prever a chegada de centenas de refugiados aos Estados Unidos.

"Vocês não são obrigados a aceitar aqueles que não querem", disse ao presidente americano.

As gravações vazadas também mostram que Trump pressionou seu colega mexicano Peña Nieto para deixar de dizer publicamente que o México não pagará pelo muro fronteiriço. Sua construção foi uma das grandes promessas de campanha do então candidato republicano.

"Você não pode dizer mais que os Estados Unidos vão pagar pelo muro", disse Trump a Peña Nieto, de acordo com a transcrição de uma conversa entre os dois em 27 de janeiro, uma semana depois da posse do presidente americano.

"Não pode dizer isso à imprensa", insistiu Trump, enfatizando: "tenho que fazer que o México pague pelo muro, tenho que fazer isso. Fiquei dois anos falando disso".

Segundo o magnata, o México deve financiar sua construção pelo simples fato de fazer "fortuna" com a "estupidez" dos representantes comerciais americanos.

Trump reconheceu as dificuldades políticas internas desse tema para Peña Nieto e pediu que encontrem uma "fórmula" para solucionar o problema.

"Ambos devemos dizer 'vamos resolvê-lo'. Encontraremos a fórmula de alguma maneira. Ao invés de você dizer 'não pagaremos', e de eu dizer 'não pagaremos'", explicou Trump.

"Se você disser que o México não vai pagar pelo muro, então não quero me reunir mais com você, porque não posso viver com isso", disse o presidente americano.

Peña Nieto respondeu dizendo que o assunto está "relacionado com a dignidade do México e com o orgulho nacional" do país.

Segundo a Presidência mexicana, Trump e Peña Nieto voltaram a tratar do assunto na quinta-feira, por telefone, durante uma "conversa construtiva e produtiva sobre a relação bilateral".

"Os presidentes acertaram que, no momento, não falarão publicamente sobre esse polêmico tema", informou o comunicado mexicano.

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