Estado Islâmico por trás do atentado frustrado contra avião na Austrália

Sydney, 4 Ago 2017 (AFP) - Um alto comandante do grupo extremista Estado Islâmico (EI) chefiou a tentativa de ataque contra um avião na Austrália - informou a Polícia nesta quinta-feira (4), revelando que também impediu um ataque com gás tóxico.

"Esta ajuda veio de um alto membro do Estado Islâmico", declarou o vice-comissário da Polícia Federal australiana, Michael Phelan, referindo-se ao suspeito como um "comandante".

Os suspeitos planejavam colocar uma bomba artesanal em um voo da Etihad Airways - usando a bagagem de um passageiro sem seu conhecimento - que partiria de Sydney em 15 de julho.

Fabricado com "potentes explosivos de qualidade militar", o artefato artesanal seria colocado a bordo de um voo da companhia, mas o dispositivo não passou pelo controle de segurança do aeroporto de Sydney.

Dois homens, Khaled Khayat, de 49 anos, e Mahmud Khayat, de 32, foram detidos por planejar "um ato terrorista". Outro homem estava sendo interrogado, e um quarto foi liberado sem nenhuma acusação.

O comandante do EI enviou os componentes da bomba por um serviço internacional de remessas e, depois, orientou os suspeitos sobre como montar a bomba.

"Com a ajuda deste comandante (do EI), os acusados armaram o artefato explosivo, e pensamos que o IED (artefato explosivo improvisado) estava operacional e seria colocado neste voo da Etihad", disse Phelan.

"Há alguma especulação sobre por que o plano não foi adiante. Não passou do check-in", acrescentou o vice-comissário.

A Polícia trabalha com a hipótese de que o ataque teria sido suspenso porque o dispositivo - disfarçado como um moedor de carne - era pesado demais para passar como bagagem de mão.

O destino do voo não foi revelado, embora alguns informes anteriores tenham sugerido que a aeronave saísse de Sydney rumo a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. No início da semana, a companhia Etihad Airways confirmou que trabalhava com autoridades australianas em sua investigação.

Phelan reconheceu ser muito preocupante que os componentes da bomba tenham sido enviados à Austrália por um serviço de remessas.

"Neste momento, suspeitamos de que os componentes da bomba artesanal partiram da Turquia. Estamos confiantes que encontramos todos os componentes do dispositivo", declarou.

A execução do plano começou em abril e, segundo a Polícia, a alta potência dos explosivos teria causado "danos significativos".

Para Phelan, este foi "um dos planos mais sofisticados já tentados em solo australiano".

A Polícia também frustrou uma segunda tentativa envolvendo um "dispositivo de dispersão química", projetado para liberar sulfato de hidrogênio. A substância é altamente tóxica nos estágios iniciais.

"Não só detivemos o explosivo que se acreditava estar no avião, mas também detivemos o dispositivo destinado à dispersão química", disse Phelan.

O dispositivo químico não tinha, necessariamente, um avião como alvo.

"Estamos considerando espaços fechados concorridos, possivelmente no transporte público", explicou um oficial.

A segurança foi reforçada nos voos domésticos e internacionais desde o sábado passado (29) na Austrália.

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