RDC: 251 pessoas executadas entre março e junho

Genebra, 4 Ago 2017 (AFP) - Ao menos 251 pessoas, incluindo 62 crianças, foram executadas entre março e junho na região de Kasai, no centro da República Democrática do Congo (RDC), por agentes do Estado e milícias locais, de acordo com um relatório da ONU publicado nesta sexta-feira.

O balanço foi estabelecido por uma equipe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que investigou os massacres na região de Kasai.

O relatório, que tem como base entrevistas com 96 habitantes da região que fugiram para Angola, culpa agentes do Estado pelo assassinato de sete crianças.

Os refugiados recordaram a violência na região que, segundo a ONU, está ganhando uma "crescente e preocupante dimensão étnica".

Além das tropas governamentais, a ONU culpou a milícia Bana Mura, apoiada pelo Estado, e o grupo rebelde Kamuina Nsapu por várias atrocidades.

"Os sobreviventes recordaram os gritos de pessoas queimadas vivas, a visão de seus parentes perseguidos e assassinados, e sua própria fuga, aterrorizados", declarou o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Husein.

O grupo de investigadores da ONU "conseguiu confirmar que entre 12 de março e 19 de junho pelo menos 251 pessoas foram vítimas de execuções extrajudiciais", afirma o relatório.

O balanço inclui 62 crianças assassinadas, 30 delas com menos de oito anos.

A respeito dos menores de idade executados, a ONU informa que sete foram assassinados por membros do exército ou dos serviços de inteligência e seis morreram em ações dos rebeldes do Kamuina Nsapu.

O relatório atribui a morte de 49 menores de idade à milícia Bana Mura.

A violência na região começou em setembro, após a morte em confrontos de um líder tribal, conhecido como Kamwina Nsapu, que se rebelou contra o regime do presidente Joseph Kabila em Kinshasa e seus representantes locais.

Sua morte provocou uma onda de violência que aumentou com o passar dos meses e teve por consequência execuções extrajudiciais, estupros, atos de tortura e o uso de crianças soldados.

Em menos de um ano, mais de 3.300 pessoas morreram na região e 1,4 milhão de habitantes abandonaram suas casas, de acordo com a Igreja Católica na RDC.

A missão da ONU no país encontrou quase 80 valas comuns no território.

A reticência de Kabila a organizar eleições aumentou a tensão no país. A ONU critica o governo pela ausência de uma investigação séria sobre a situação em Kasai.

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