Vietnã desafia China em fórum sobre segurança da Asean

Manila, 5 Ago 2017 (AFP) - O Vietnã cobrou que os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês) adotem uma postura mais firme contra o expansionismo chinês no mar da China Meridional, na abertura de um fórum, neste sábado, em Manila, Filipinas.

Os dez membros da associação expressaram sua "grave preocupação" com os mísseis intercontinentais da Coreia do Norte.

Antes da abertura do fórum anual dos chanceleres da Asean, o Vietnã pediu para seus sócios endurecerem o tom com a China, propondo mudanças no comunicado final.

Hanoi criou as bases para um fórum diplomático tenso na capital das Filipinas, do qual vão participar também, a partir de domingo, chefes da diplomacia de China, Estados Unidos, Coreia do Norte e do Sul, bem como outros representantes de países da Ásia e do Pacífico para um diálogo sobre segurança.

Simultaneamente ao fórum, o Conselho de Segurança vota, neste sábado, em Nova York, um projeto americano de novas sanções a Pyongyang por seus testes balísticos.

Os Estados Unidos adiantaram que tentariam aproveitar a ocasião para criar uma frente unida de pressão a Pyongyang.

Ao fim do primeiro dia de reunião, neste sábado, os ministros a Asean emitiram um comunicado em que expressam sua "grave preocupação" com os testes de mísseis intercontinentais que a Coreia do Norte fez no mês passado.

"Essas atividades ameaçam seriamente a paz, a segurança e a estabilidade na região e no mundo", indica o comunicado.

A disputa no mar do Sul da China, contudo, não teve tanto consenso. O Vietnã resiste aos esforços das Filipinas, que buscam evitar uma escalada com a China, indicaram fontes diplomáticas à AFP.

Na noite desta sexta-feira, o Vietnã tentou adotar uma linguagem mais firme contra a China, no comunicado da Asean que deveriam ser publicado assim que acabassem as reuniões de sábado.

A AFP conseguiu uma cópia do rascunho do comunicado, no qual o Vietnã militou para que a Asean expressasse suas sérias preocupações pela "construção" neste mar, fazendo referência às ilhas artificiais chineses nas disputadas águas.

O Vietnã também queria que a Asean insistisse para que um código de conduta para o mar acertado com a China fosse "legalmente vinculante", ao que Pequim se opõe.

- Discussões tensas -Os pedidos foram feitos por Hanoi numa reunião informal dos chanceleres da Asean nesta sexta-feira à noite.

"As discussões foram muito intensas. O Vietnã só está pedindo uma posição mais firme sobre o mar do Sul da China. O Camboja e as Filipinas não querem refletir isso", disse um diplomata à AFP.

A China reivindica para si a quase totalidade do mar da China meridional, inclusive as regiões perto das costas do Vietnã, das Filipinas, da Malásia e de Brunei.

Nos últimos anos, a China ampliou sua presença neste mar, construindo ilhas artificiais nas quais pode instalar bases militares.

Ao lado do Vietnã, as Filipinas eram um dos maiores críticos da política expansionista de Pequim.

Contudo, na atual presidência do filipino Rodrigo Duterte, Manila quer reduzir as disputas com a China, visando receber investimentos e ajuda financeira em retorno.

Na prática, espera-se que neste fim de semana a Asean adote um código de conduta com a China, criando as bases para avançar num diálogo mais concreto com Pequim.

A crescente ameaça terrorista na região também está na agenda do grupo. Desde maio, as Filipinas travam uma batalha com extremistas que se declaram membros do Estado Islâmico e ocupam partes de Marawi, a principal cidade muçulmana do país de maioria católica, a cerca de 800 km ao sul de Manila.

A partir de domingo, o fórum deve reunir 26 ministros de Exteriores, inclusive os de Estados Unidos, Rússia e China, assim como os da Coreia do Norte e do Sul.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, deve se reunir à margem do fórum com seu equivalente russo, Serguei Lavrov.

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