Argentinos pedem que governo declare emergência alimentar

Buenos Aires, 7 Ago 2017 (AFP) - Milhares de argentinos renovaram, nesta segunda-feira, seus votos por São Caetano, no dia do patrono do pão e do trabalho para os católicos, em uma marcha de organizações sociais e sindicatos que pedem ao governo para declarar estado emergência alimentar.

Sob o lema "Pão, paz, terra, teto e trabalho", a marcha irá, à tarde, até a Praça de Maio pedir ao presidente Mauricio Macri fundos excepcionais para cozinhas das escolas e comunitárias, além de expressar sua insatisfação com a política econômica.

Eles também vão entregar uma petição com milhares de assinaturas ao Congresso Nacional, solicitando que os legisladores incentivem a lei de declaração de emergência alimentar.

"As políticas econômicas do governo geram milhares de demissões e deixam cada vez mais pessoas em situação de pobreza e de fome", disseram os convocadores da marcha em um comunicado.

A manifestação de Buenos Aires também acontecerá nas principais cidades do país, segundo a convocatória, dias antes das eleições primárias nacionais deste domingo, que vão definir candidatos para as eleições legislativas de 22 de outubro.

Nas primeiras horas desta segunda, uma enorme procissão de peregrinos foi até a igreja de São Caetano, no bairro de Liniers, onde começaram a marcha de 17 quilômetros até a Plaza de Mayo.

"Venha há dez anos acompanhado de meu pai, que vem há 30", disse à AFP Marina García, um dos fieis que esperou por horas para tocar a imagem do santo.

Ao redor da igreja, dezenas de fieis passaram a noite em tendas improvisadas para serem os primeiros a entrar na igreja.

"O grande desafio que temos é que nosso povo tenha um trabalho digno, genuíno", disse o padre Roberto Quiroga. "As pessoas querem trabalhar, pedem isso todo dia aqui".

A Argentina, terceira economia da América Latina, começou a dar sinais de incipiente recuperação de 0,3% no primeiro trimestre do ano, após o PIB recuar 2,3% em 2016.

Apesar disso, o desemprego subiu a 9,2% no primeiro trimestre, ante 7,6% no fim de 2016. Na periferia da capital argentina, onde vivem cerca de 8 milhões de pessoas, o índice chega a 11,8%.

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